Causas e consequências da violência no esporte brasileiro

Enviada em 18/10/2020

Durante a Idade Média, atos de violência eram associados a manifestações de imposição e poder. Diante deste cenário, os jogos entre os gladiadores que lutavam no Coliseu, em Roma, sucediam ao público a afeição à brutalidade e a justificativa baseada nos valores culturais. No entanto, após séculos de avanço, atualmente, esporte significa saúde, emoção, satisfação, desafio, comunidade, apoio, talento, alegria, irmandade e respeito. Mas, quando há violência no esporte, há a negação e anulação de todos estes conceitos. Logo, faz-se importante uma análise da problemática da violência no esporte brasileiro com mais afinco.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a violência no esporte deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, muitos atos de violência, especialmente em estádios de futebol, permanecem impunes, segundo dados do jornal Folha de São Paulo. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar o alto índice de mortes por rixas de futebol como consequência do problema. De acordo com um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil lidera ranking de mortes em confrontos no futebol. Partindo desse pressuposto, o país precisa promover reformas na legislação para punir os dirigentes que incitam a violência. Dado isso, é necessário que medidas sejam tomadas para a resolução do quadro deletério em que a sociedade se encontra.

É imprescindível, portanto, a mudança na conduta daqueles que usam a ferocidade para se imporem diante de outros times. Para isso, o Ministério Público — instituição que tem como função a manutenção da ordem jurídica no Estado e, também, a fiscalização do poder público em diversas áreas — deve impor como regras fazer o cadastramento de torcedores, o uso de reforço policial e expulsão temporária aos que desviarem da pacificidade entre os jogos. Além disso, a mídia e os clubes podem promover campanhas de conscientização ao público, a fim de que o reflexo arcaico da Idade Média se converta em um coletivismo ético e que auxilie a integração social do esporte.