Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 19/10/2020
O filme “Ultras” relata as desavenças cotidianas e comportamentos agressivos entre torcedores de diferentes times italianos de futebol. Nessa lógica, é evidente como as divergências esportivas resultam em atitudes violentas - física ou moral - que podem causar danos irreversíveis para as vítimas. De maneira análoga à histórica fictícia, a violência no esporte brasileiro ainda enfrenta entraves no que concerne à insuficiência de fiscalizações nos estádios, como também à banalização social das desavenças esportivas.
Diante desse cenário, a falta de fiscalização nos estádios é vista como impulsionadora para a violência no esporte, uma vez que sem o policiamento necessário, muitos dos torcedores entram sem identificação, impossibilitando que, após atitudes violentas, os agressores sejam identificados e possam receber as advertências necessárias. Corroborando essa ideia, o jovem Wallace Mota, integrante da torcida organizada do time do Flamengo, foi detido, somente, meses após participar de um crime contra um torcedor do time do Botafogo, durante um jogo na arena Nilton Santos, o que comprova a insuficiência das fiscalizações nos estádios enquanto o reconhecimento do infrator. Assim, é claro que a carência de policiamento nos estádios impulsiona a manutenção da violência no esporte.
Outrossim, é fulcral analisar a banalização social das desavenças esportivas, ora que a naturalização dessa infração diminui os casos de denúncias e punição do agressor. Assim sendo, a cultura do futebol no Brasil corrobora com o sentimentalismo dos torcedores perante o time, o que causa a visualização do time oposto como “inimigo”. Portanto, a ocorrência de debates e desavenças no tocante a oposição esportiva é naturalizado. Nessa seara, as Barras Bravas Argentinas - comunidade responsável pelo apoio incondicional a equipe - são vistas como violentas durante os jogos, no entanto, estão presente na maioria das partidas, apesar de representar uma ameaça ao time adversário. Logo, é notória que a banalização social das disputas esportivas certifica com a permanência de atos violentos dentro do esporte.
É necessário, portanto, que o Poder Público, como responsável pelo bem-estar social, aumente as fiscalizações nas entradas dos estádios, direcionando guardas locais, responsáveis por liberar a passagem somente dos torcedores que comprovem a identificação na entrada do local sede. Ademais, com o fito de organizar e polarizar torcidas divergentes, deve ocorrer um direcionamento do público para áreas específicas, de modo a reduzir a violência entre torcidas organizadas, como também facilitar a identificação, previamente o julgamento processual, do infrator que corrompa as regras do estádio. Dessa maneira, a ferocidade apresentada no esporte brasileiro decrescerá exponencialmente.