Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 04/11/2020
Conforme o filósofo Benedetto Croce, a violência não é força, mas fraqueza, nem nunca poderá ser criadora de coisa alguma, apenas destruidora. Sob esse viés, na sociedade brasileira, especificamente nos ambientes voltados às práticas esportivas, pode-se notar essa grande e drástica capacidade da violência em destruir valores sociais que beneficiam a interatividade humana. Nessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema por causa de uma lacuna na base educacional de muitos cidadãos e da má influência midiática.
Inicialmente, a frágil educação de uma grande parte da população faz-se como um fator determinante para a fundamentação do sério panorama. De acordo com o pensador Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Diante disso, pode-se afirmar que a maneira como as pessoas interpretam os diferentes pontos de vista também é oriunda da cultura absorvida no meio habitado. Desse modo, infelizmente, nota-se que a interação entre os indivíduos vem sendo irracional – principalmente – nos espaços que envolvem distintos grupos de torcedores, a ter a agressividade e o vandalismo como reações às diversidades e aos resultados das partidas e, consequentemente, a gerar feridos e destruição em razão do fanatismo aos times.
Ademais, a intolerância infiltrada na mídia torna-se uma questão relevante à persistência da problemática. Consoante ao filósofo Pierre Bordieu, o que foi criado para ser instrumento da democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nesse sentido, por infelicidade, observa-se que o campo midiático tem sido usado como um vínculo de ações antidemocráticas, sobretudo, capazes de promover o ciberbullying por conta dos variados gostos. Assim, as dissemelhantes opiniões sobre as partidas esportivas é motivo de conflitos virtuais e, posteriormente, diretos.
Portanto, faz-se necessária uma intervenção pontual ao fato abordado. Sendo assim, é viável que os Ministérios de Educação e Cidadania, por intermédio de professores e diferentes atletas, promovam juntos um projeto conscientizador que aborde a real essência das práticas esportivas e os reflexos que a alienação desrespeitosa traz à saúde física e mental dos envolvidos, por meio de debates e jogos mistos guiados por educadores físicos em todas as escolas nacionais, desde o pré-escolar até o ensino médio. Tudo isso, com o intuito de moldar crianças, jovens e responsáveis mais racionais e abertos às diversidades e, por conseguinte, bloquear a violência no esporte e reconstruir a cooperação entre as equipes e seus públicos. Afinal, como apontou Pitágoras, educar a juventude é a condição necessária para não castigar os adultos.