Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 17/12/2020
A violência no esporte brasileiro, esse cuja função primária seria o entretenimento, reflete não somente uma rivalidade dentro das quadras ou estádios, mas, acima disso, a falha social nessa esfera. Esse dano é transparecido na má influência das torcidas organizadas exercida sobre os demais torcedores, a qual é concebida, principalmente, pela própria estrutura social violenta do país.
A princípio, leva-se em consideração o conceito de Fato Social para Durkheim, o qual consiste em uma maneira coletiva de agir, sendo a coercitividade um dos pilares para ela. Nesse sentido, a formação das torcidas organizadas, conhecidas pelo extremismo, mascara a disseminação de ódio pelos torcedores, sendo tratada apenas como fanatismo. Logo, os indivíduos em potencial violento sentem-se confortáveis em se unir a esses grupos, haja vista a semelhança de conduta.
Ademais, sabe-se que o comportamento violento nos esportes antecede-se por exemplos de agressividade em outros cenários. Como afirma o filósofo Pitágoras, “Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens”. Nessa lógica, se as demonstrações de violência presenciadas e cometidas pelos indivíduos na fase de crescimento, como brigas escolares ou familiares, fossem devidamente corrigidas, tal conduta não evoluiria aos momentos de lazer, a qual provoca penalidades e tragédias.
Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Justiça e Segurança Pública, apoiado pelos clubes esportivos, estabeleça diretrizes rígidas aos torcedores, por meio de medidas punitivas individuais a qualquer ato violento, como a proibição do acesso ao estádio ou quadra, a fim de desmembrar as organizações transgressoras. Além disso, a família e os ambientes escolares devem melhorar a forma de correção a condutas hostis, bem como se policiar quanto aos próprios exemplos passados. Espera-se, com isso, garantir que o esporte volte a exercer sua única função de entretenimento ao reparar as falhas prejudiciais a essa.