Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 01/05/2021
“Aqui tem um bando de loucos, loucos por ti, Corinthians. Para aqueles que acham que é pouco, vivo por ti, Corinthians.”. Com essas palavras é aberta uma das músicas mais populares do esporte, cantada por torcedores corinthianos quando o clube multiesportivo disputa alguma partida. A letra da canção, além de demonstrar a devoção do público, é também um retrato do extremo ao qual o desporte pode ser levado no Brasil. A paixão por esse tipo de práticas é generalizada no país, cujos efeitos, muitas vezes, são violência e tragédias, o que é um problema. Sendo assim, como todo entrave, apresenta causa - momentos de má fase - e consequência - menor envolvimento do coletivo.
Inicialmente, motivados pelo fato de serem a principal fonte de renda das associações, torcedores se cansam de gastar com elas e não verem o time conquistar campeonatos - considerando que esportes, essencialmente, são práticas competitivas. A existência de períodos de baixo rendimento e falta de títulos por parte dos atletas é normal e compreensível. Porém, haja vista que situações como a de Ariel Holan, ex-treinador do Santos Futebol Clube, que pediu demissão assustado após uma série de manifestações conturbadas dos apoiadores da instituição contra a sua pessoa em decorrência de derrotas consecutivas, são cada vez mais comuns, percebe-se que o apoio não é incondicional. As dificuldades de dentro das quatro linhas são transpostas para o ambiente externo, entretanto, a fúria da torcida gera instabilidade emocional nos praticantes, criando um ciclo de frustrações e reveses.
Por conseguinte, a parte do povo que discorda de tal pressão, acaba por se afastar da experiência de assistir um campeonato no local das partidas, uma vez que sente medo de ser envolvido invountariamente e sofrer por isso. Contudo, a queda de público diminui o valor arrecadado ao final da temporada, o que significa prejuízo, em destaque, para os atletas independentes ou vinculados a clubes menos expressivos, pois diminui a renda desses, a exemplo do boxeador e medalhista olímpico Esquiva Falcão, quem precisou recorrer à entrega de pizzas para conseguir viver dignamente. Embora Falcão trabalhasse por conta da falta de público pagante em suas lutas graças à pandemia, a situação dele serve de retrato da realidade de torcidas que convivem com tal ruim dualidade (raiva vs. temor).
Logo, para amenizar a violência no esporte, é necessário que o Ministério do Esporte, em parceria com o Ministério da Educação, promova aulas de socioemocional aplicado ao ambito esportivo, por meio de palestras gratuitas em escolas públicas, aos sábados e de acesso liberado a todas as idades, com professores especializados nas áreas envolvidas e atletas. Dessa forma, espera-se que a população aprenda a controlar a loucura citada na canção corithiana e espalhada entre brasileiros, buscando alternativas mais pacíficas para reclamações e diminuindo a evasão em campos e quadras.