Causas e consequências da violência no esporte brasileiro

Enviada em 02/06/2021

Inspirado nas Olimpíadas da Grécia Antiga, os ideais do espírito esportivo são, principalmente, a coletividade, o respeito e a saúde. Contudo, a constante rotina de violência que está acompanhando os esportes brasileiros — especialmente o futebol — anula tais preceitos na medida em que torcedores expressam sua insatisfação por meio da agressão física ou verbal. Como consequência para tais atos, há a perpetuação desse crime devido à atuação solitária do Estado. Portanto, urge aliar as técnicas de repressão do poder público com metodologias de prevenção, oriundas da iniciativa privada.

Em um primeiro momento, é imperativo abordar uma das causas para esse problema. Em 1939, foi desenvolvida uma tese psicológica denominada teoria da frustração agressão, em que o desapontamento com os esforços para alcançar um objetivo aumenta a probabilidade de ações ofensivas acontecerem caso o indivíduo acredite que isso diminuirá sua desilusão. Tal explicação é observada, por exemplo, na Libertadores de 2017, já que o desagrado dos torcedores com o placar final de um dos jogos resultou em um conflito. Desse modo, nota-se que a brutalidade que rege os confrontos esportivos é uma resposta irracional de pessoas despreparadas emocionalmente.

Sob esse viés, os impactos negativos começam a surgir. A Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania realizou a divulgação de dados que revelam que 17% dos indivíduos processados por violência em competições de futebol são reincidentes, enquanto apenas 3% dos procedimentos acabam em condenação. Ou seja, os métodos atuais de coibição — realizados apenas pelo Estado — são falhos e a perpetuação dos ataques é a principal consequência dos embates.

Diante do exposto, conclui-se que a causa dos descontroles físicos é banal, porém a decorrência disso — condutas violentas e rotineiras — é uma mazela. Logo, os clubes de futebol devem prestar auxílio aos órgãos de segurança, por intermédio de uma parceria público privada, instalando leitores biométricos nas catracas de seus estádios capazes de reconhecer um espectador com um histórico policial de mau comportamento e informar a polícia, bem como prover descontos nos bilhetes direcionados a famílias e torcedores que nunca se envolveram em tais situações, para que o público bárbaro seja gradualmente substituído. Com tais medidas, a mudança esperada será efetivada com êxito.