Causas e consequências da violência no esporte brasileiro

Enviada em 26/10/2021

O jogo final do campeonato da Libertadores da América teve um fim desastroso no ano de 2017. O jogo do Palmeiras contra Peñarol na capital Uruguaia acabou com a briga, o estopim foi um soco dado pelo jogador Felipe Melo em Matias Mier, a confusão alastrou-se para as arquibancadas que também registram focos de combate. Nesse contexto, a bestialidade no entreterimento esportivo se faz continuo no Brasil, fruto de um corportamento social que busca virilidade e, que em consequência tras inúmeros prejuizos sejam materiais ou morais.

Primeiramente, é válido ressaltar que a construção social em torno da figura masculina está intrinsecamente ligada aos casos de violência em estádios esportivos. Isso se deve as falácias que homens devem ser fortes e agressivos para ter uma visão positiva na sociedade. Tal fato pode ser constatado no documentário ‘’A Máscara em que você vive’’ - disponível no serviço de ‘’streming’’ Netflix - que explora a supressão da sensibilidade como a idealização de masculinidade. Nesse sentido é possível atestar que, ao agir com agressividade contra o ‘’adversário’’, seja física ou moralmente, atingi-se o ideal machista de ser homem.

Em segunda análise, apesar da realização de leis que punem atos de violência em ambiente esportivo, essa prática infame persiste. Sob essa perspectiva, em 2003 foi criado o Estatuto do Torcedor - lei 10.671 - que estipula punições para brigas, vandalismo, agressões verbais, dentre outros. Entretanto o cumprimento dessa norma não é efetiva, como exemplificado no caso da final da libertadores do ano de 2017, o jogador Felipe Melo que iniciou o tumulto, ainda não foi penalizado pelo ocorrido. Dessa forma, a negligência dessas normas contribuem para as consequências desastrosas que englobam perdas materiais e físicas, segundo levantamento do jornal R7, 30 pessoas foram mortas em 2013 em decorrência de brigas nos estádios.

Portanto, diante dos fundamentos dessa problemática e de seus desdobramentos, urge a necessidade de ações. Para isso, cabe ao Ministério da Educação em conjunto com escolas de ensino fundamental, a elaboração de aulas que trabalhem as construções sociais de gênero, sendo vinculado na disciplina de sociologia e com palestras de psicólogos sobre o assunto, assim será possível construir uma nova geração com uma visão mais saudável sobre masculinidade, sem recorrer à violência. Além disso, é necessário que o Ministério da Justiça seja mais assertivo ao aplicar penas do Estatuto do Torcedor, cabe também a destinação de maior quantia de verba para contratação de seguranças para dias de jogos.