Causas e consequências da violência no esporte brasileiro

Enviada em 27/10/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6°, o direito à segurança como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, na prática, essa prerrogativa não é efetivada, haja vista os casos de violência no esporte brasileiro. Esse cenário nocivo ocorre não só em razão da falta de educação moral dos cidadãos, mas também devido à impunidade de ações jurídicas.

Nesse sentido, é válido destacar a ausência de uma educação voltada à ética e à moral da conduta dos indivíduos na sociedade brasileira. Nessa lógica, de acordo com o jornal CNN, em geral, a agressividade nos estádios é iniciada com incitações hostis e ameaçadoras. Observa-se, por esse ângulo que, a partir do momento que o ser humano põe-se a injuriar e a manchar a imagem do outro, tem-se a falta de respeito materializada em violência física ou verbal. À vista disso, nota-se, infelizmente, que a escassez da ética para o convívio saudável ajuda no aumento da hostilização nos campos de futebol, dado que o cidadão perde o sentido real do esporte, que seria o de lazer e de diversão. Dessa maneira, o futebol como elo social é tingido de agressões e de violência generalizada, o que compromete o equilíbrio social e, por consequência, enfraquece a percepção do esporte em si.

Além disso, é imprescindível salientar a impunidade como fator determinante para a continuidade desse quadro prejudicial. Nessa perspectiva, de acordo com o jornal BBC, a porcentagem de crimes não solucionados no Brasil é cerca de 70%. Diante disso, segundo o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, o teste de moralidade do Estado é como ele lida com os problemas sociais a fim de preservar o bem-estar. Diante disso, a omissão governamental em penalizar crimes e salvaguardar a população mostra-se como uma postura pouco moral à convivência, visto que transgressões não solucionadas são ingressos para a persistência da violência. Dessa forma, a impunidade manifesta-se como motor assíduo na distorção do sentido do esporte para a sociedade e, consequentemente, a estabilidade social é rompida.

Verifica-se, portanto, a necessidade de romper esse quadro danoso. Para isso, cabe ao governo federal, responsável pela administração dos interesses da nação, por meio de campanhas educativas em TV aberta, promover a conscientização dos cidadãos quanto a importância do respeito ao próximo no futebol, com o objetivo de tornar os cidadãos críticos acerca das consequências de suas ações. Paralelamente, ele deve, por intermédio de leis existêntes, aplicar a punição devida aos agressores no esporte, a fim de salvaguardar a população que busca o futebol como lazer. Dessa forma, será possível a construção de uma nação moral aos moldes de Bonhoeffer.