Causas e consequências da violência no esporte brasileiro

Enviada em 10/11/2021

A série médica “Sob Pressão”, retrata, em um de seus episódios, a hospitalização de dois adolescentes que foram vítimas de brigas entre torcidas, em uma partida de futebol. Infelizmente, fora da ficção, a violência no esporte brasileiro também é uma realidade. Sem dúvidas, é ocasionada, principalmente, pela incapacidade de convivência social com os diferentes, e atinge o direito constitucional ao lazer.

Antes de tudo, vale ressaltar que a hostilidade em cenário esportivo é reflexo da dificuldade brasileira de lidar com diferenças, enraizada desde sua colonização. Durante o século XVI, os portugueses, ao chegarem no Brasil, promoveram o genocídio de milhares de tribos indígenas, uma vez que não conseguiam coexistir com povos que possuíam um estilo de vida completamente distinto do europeu. De forma análoga, nota-se, nos frequentes casos de espancamento em estádios, a incapacidade dos torcedores de ficarem em harmonia com pessoas que torcem para times desiguais e que são considerados “rivais”, a exemplo de Fluminense e Flamengo. Assim, muitos acreditam que as distinções os tornam incapazes de serem parceiros e usam a linguagem violenta como resposta a essa conjuntura.

Consequentemente, a constante agressividade nos esportes prejudica o entretenimento dos brasileiros. Consoante à Constituição Federal de 1988, o lazer deve ser assegurado pelo Estado e pela sociedade aos cidadãos, pois é inquestionável seus benefícios ao bem estar populacional, já que garante a manutenção de hormônios responsáveis pelo sentimento de felicidade, como a serotonina.  Todavia, as pessoas não conseguem desfrutar das práticas recreativas, ao acompanhar ou participar de jogos, visto que elas ficam tensas, inseguras e com medo de serem atingidas e feridas pelos recorrentes atos violentos referentes a esse ambiente. Afinal, conforme dados coletados pelo sociólogo Maurício Murad, o Brasil é recordista mundial em mortes relacionadas ao futebol.

Percebe-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver os impasses. Logo, é fundamental que o Ministério da Cidadania - órgão administrativo relacionado a manutenção de políticas no setor do esporte - combata a violência desportiva no Brasil. Isso ocorreria por meio da criação de secretarias em arenas do setor que fossem responsáveis pela vigilância do local e  promovessem diálogos educativos que fizessem a torcida superar a ideia de rivalidade, vinculada às dessemelhanças entre as equipes, a fim de promover a paz no âmbito esportivo. Desse modo, aos poucos, a nação conseguiria coexistir com as diferenças e ter bons momentos de lazer, distanciando-se do representado no episódio de “Sob Pressão”.