Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 08/10/2022
Segundo a pesquisa realizada pelo sociólogo Mauricio Murad, o Brasil é o recordista mundial de mortes relacionadas ao futebol. E embora o país apresente um conjunto de leis bastante consistente referentes a violência nos estádios, elas se abstêm, de forma geral, ao plano teórico, confirmando o raciocínio do jornalista Gilberto Dimenstein, em seu livro “O cidadão de papel”, no qual declara que há dificuldade e despreocupação em efetivar direitos básicos, os quais já são garantidos pela constituição. Nesse sentido, a violência no esporte brasileiro expõe a negligência governamental, além de revelar a falta de conscientização social.
Sem dúvidas, um dos problemas relacionados com a hostilidade em meio ao futebol é a inefetividade governamental. Segundo o contratualista John Locke, existe um contrato social que garante a dignidade e proteção do indivíduo, quando o básico não é garantido à uma quebra desse contrato e isso explicitamente acontece quando, mesmo que diante de números expressivos de episódios violentos relacionados ao futebol brasileiro, o Poder Público se mantém omisso, haja a vista a carência de segurança nos estádios, como câmeras capazes de cobrir toda a área dos jogos incluindo as ruas adjacentes ao campo e a falta de impunidade dos agressores. Sendo assim, medidas são necessárias para reverter esse quadro de ataques.
Ademais, a falta de conscientização da sociedade agrava a questão. Segundo o sociólogo George Simmel, a sociedade contemporânea está em um estado de “Atitude Blasé”, na qual o indivíduo passa a agir com indiferença em meio a situações que necessitam de atenção. Nesse sentido, podemos observar esse comportamento nos torcedores de futebol, que continuamente pratica atos de violência verbal e física contra outras torcidas e contra espaços públicos, como agressões, bullying, vandalismo em estádios e nas sedes de times.