Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 27/07/2021
Revelada na década de 1929, pelos Estados Unidos, a internet é, no presente, uma importante ferramenta de lazer, de manutenção das relações interpessoais e, para além, é um meio fundamental para vendas comerciais. Apesar desses benefícios trazidos pelo desenvolvimento tecnocientífico, é notório, no Brasil, em virtude da evolução da era digital no país, o surgimento de uma grave disfunção psicossocial: a cibercondria. Essa doença, definida como a síndrome da pesquisa sintomatológica na internet, tem como causas a morosidade do sistema de saúde brasileiro e a facilidade, atual, de acesso às informações. Em razão disso, muitos indivíduos, além de realizarem diagnósticos errados sobre o seu quadro de saúde, acabam se automedicando, o que pode prejudicar, ainda mais, o seu bem-estar.
Nesse contexto, destaca-se como uma das causas do aparecimento da cibercondria no Brasil a demora no atendimento do sistema único de saúde (SUS) que se associa, diretamente, à facilidade de acesso às informações. De acordo com dados do portal “g1” o tempo médio para conseguir uma consulta pelo SUS é de três a seis meses. Assim, muitos indivíduos, em especial, os que sofrem de ansiedade em relação à saúde, não esperam esse período e por, em geral, terem a internet aos seus alcances, acabam pesquisando acerca dos sintomas sentidos e quais as formas de aliviá-los. Esse fato pode ser relacionado à teoria da sociedade em rede do sociólogo espanhol Manuell Castells, a qual afirma que, na contemporaneidade, as relações e, por vezes, a construção de pensamentos se dão em rede, ou seja, o modo atual de agir tem como base o meio virtual.
Em consequência da busca rápida no espaço digital há, na maioria das vezes, prejuízos à saúde dos indivíduos. Isso ocorre porque pela análise dos resultados disponibilizados na internet, a pessoa pode concluir erroneamente que apresenta uma doença grave ou se tranquilizar, mascarando uma disfunção séria. Ademais, outro impacto negativo da cibercondria é a automedicação, pois muitos sujeitos, por conta própria, após uma breve e vaga procura sintomatológica na “web”, ingerem remédios que aparentemente curam a indisposição sentida. Segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF), cerca de 47% dos brasileiros, pelo menos uma vez ao mês, automedicam-se. Desse modo, esses seres podem complicar problemas existentes ou induzir adversidades mais complexas aos seus organismos.
Portanto, objetivando mitigar os efeitos da cibercondria no Brasil, cabe ao Ministério da Saúde, órgão responsável por políticas de promoção do bem-estar brasileiro, investir em propagandas que alertem as pessoas sobre os riscos de pesquisar sobre saúde e de crer fielmente no que está na internet. Isso deve ocorrer por meio de parcerias com meios de divulgação em massa, como, TV e redes sociais, visando, desse modo, atingir um público grande e diverso.