Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 05/10/2019

A expansão da internet favoreceu o acesso fácil e rápido à informação. No entanto, apesar dos grandes benefícios, esse contexto também acarretou alguns problemas; entre eles a cibercondria, que é considerada um agravamento da hipocondria derivado das pesquisas cibernéticas. Esse distúrbio, seja pela falta de confiança profissional, seja pela piora do quadro de ansiedade popular, configura-se uma grave mazela social, a qual torna necessária a discussão a cerca da problemática.

Precipuamente, a desconfiança das pessoas sobre os diagnósticos dos médicos se mostra uma das raízes do problema. De acorde com a Teoria da Modernidade líquida do sociólogo Zygmunt Bauman, os laços sociais estão mais fracos e inconsistentes. Paralelamente a isso, as relações de confiança entre os pacientes e os profissionais de saúde se encontram defasadas, tendo em vista os diversos laudos na internet associados aos sintomas da pessoa, os quais refutam as afirmações médicas. Esse contexto acarreta um panorama de descrença do sistema de saúde do país, de forma a aumentar, infelizmente, os índices de automedicação. Como prova disso, estudos feitos pelo Hospital Johns Hopkins afirmam que uma a cada quatro pessoas se sente exposta a riscos desnecessário pelo seu médico.

Além disso, outro aspecto agravante da situação exposta é alta taxa de ansiedade da população. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, quase um quarto da sociedade brasileira tem algum transtorno de ansiedade. À vista disso, ao apresentar sintomas patológicos, os indivíduos recorrem, precipitadamente, às pesquisas internáuticas, ao ponto que realizam um autodiagnóstico e a associação desses pseudo-resultado à doenças graves, de modo a intensificar o quadro de depressão vigente. Esse cenário ratifica o pensamento do filósofo Jean-Jacques Rousseau, o qual afirma que “O homem nasce livre, mas por toda parte está acorrentado”, sendo as correntes, nesse caso, a má utilização dos artefatos tecnológicos.

Portanto, a cibercondria se mostra uma barreira a ser superada. Para isso, é necessário, primeiramente, que o Ministério de Saúde intensifique as campanhas informativas a cerca da problemática, por meio do aumento dos investimentos publicitários, para que a comunidade se torne esclarecida sobre os riscos de pesquisas sem orientação profissional relacionadas à saúde, do autodiagnóstico e medicação. Por fim, o Órgão supracitado conjuntamente com o Ministério de Educação deve, por intermédio de palestras e afins,  reforçar o esclarecimento acima citado da sociedade, de maneira que ela busque a assistência de pessoas qualificadas, como os médicos, para fornecê-las a devida ajuda, pois, como disse Platão, “O importante não é viver, e sim viver bem”.

Precipuamente, é válido apontar a intensificação da ansiedade das pessoas como aspecto primordial da problemática.