Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 20/10/2019

Com a Revolução Industrial, houve o desenvolvimento de tecnologias o que, consequentemente, acarretou na facilitação do acesso a várias informações. Posto em análise as questões que englobam essa problemática, é evidente que através da evolução da internet, os indivíduos tiveram maior acessibilidade a qualquer informação, com isso ocorreu a reformulação da obtenção sobre qualquer doença, desenvolvendo a prática da cibercondria, que seria a busca incessante por diagnósticos e, até mesmo, automedicação na população, ocasionando complicações graves para a saúde dos indivíduos.

É indubitável que a era digital transformou o processo de aquisição de dados sobre qualquer problema de saúde apresentado pelas pessoas, tendo em vista que através do Google, tornou-se mais prático tirar dúvidas sobre determinado sintoma. Nesse contexto, é importante que ao realizar uma pesquisa sobre uma indicação de alguma doença na internet, o indivíduo é bombardeado por centenas de resultados, de diversas enfermidades, sendo levado a acreditar que, ou está desenvolvendo uma grave doença e poderá morrer, ou que não há nada de errado com sua saúde e não é necessário buscar ajuda médica. Diante disso, ocorre fatos de iniciação de medicação não prescrita por um profissional da saúde ou o desenvolvimento de uma doença grave. É válido analisar que de acordo com dados do Instituto do Mercado Farmacêutico (ICTQ), cerca de 80% da população brasileira pratica automedicação, em uma faixa etária de maiores de 16 anos.

Além disso, é apropriado salientar que segundo Albert Einsten, se os homens não mudarem sua maneira de pensar não serão capazes de resolverem problemas causados por eles mesmos. Dessa forma, é de suma importância a reflexão sobre os riscos oferecidos pela pesquisa de sintomas online e os perigos que a automedicação acarreta para a saúde das pessoas, tendo em vista que, ao se tornar um hábito, a prática de medicar-se sem prescrição de especialista, pode ocasionar em casos de vícios, envenenamento e reações alérgicas, todos podendo, na pior das hipótese, acarretar na morte.

Portanto, é notória a problemática da cibercondria e seus riscos na era digital. Logo, vê-se necessário que o Ministério da Saúde crie campanhas que conscientizem sobre os riscos do pré-diagnóstico pela internet e também, dos perigos causados pela automedicação, enfatizando-se sempre a importância de uma consulta médica. Além do mais, o Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, devem criar um ambiente online destinado a pesquisas de sintomas, oferendo um suporte inicial para problemas de saúde, porém sempre priorizando e enfatizando que é necessária a visita ao médico. Com isso, objetiva-se a conscientização da população sobre a busca por informações na internet, além de reduzir casos de cibercondria.