Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 01/09/2019

Conforme uma reportagem do Fantástico, cada vez mais pessoas recorrem ao que vem sendo chamado de Dr. Google para pesquisar algo relacionado a saúde. Com isso, é indiscutível que as informações se tornaram mais disponível e de fácil acesso, desde que a internet se tornou algo essencial em todos os lares. Assim, uma pessoa que demonstra preocupação com seu estado de saúde tem mais chances de buscar ajuda médica precocemente, porém, quando o paciente dá um passo além da pesquisa e passa à automedicação, os resultados podem ser desastrosos.

De tal maneira, em 2001, a BBC reportou que os médicos estavam a lidar com uma nova condição chamada cibercondria ou “síndrome da pesquisa na internet”. Esta notícia descrevia a forma como alguns pacientes consultavam os seus sintomas online e posteriormente abordavam o seu médico com uma ideia pré-determinada sobre a sua condição. Porém, certas pesquisas podem ser confrontadas com teores falsos ou sobre doenças que causam ansiedade, não sendo conteúdo fornecido com informação suficiente sobre a hipótese destas enfermidades estarem presentes ou a possibilidade de os sintomas terem uma causa benigna.

Ainda mais, a automedicação, muitas vezes vista como uma solução para o alívio imediato de alguns sintomas pode trazer consequências mais graves do que se imagina. O uso de medicamentos de forma incorreta pode acarretar o agravamento de uma doença, uma vez que sua utilização inadequada pode esconder determinados prognóstico. Contudo, para multas pessoas, particularmente para aquelas que vivem com doenças crónicas, a internet pode ser uma ferramenta extremamente útil. Esta permite encontrar grupos de suporte especializados, organizações de solidariedade e outras que possam fornecer aconselhamento sobre a sua condição. Pode também ser um recurso importante para as pessoas que desejam melhorar o seu estado de saúde geral com alterações ao estilo de vida e saber mais sobre nutrição e exercício.

Sendo assim, é indispensável a adoção de medidas capazes de assegurar a credibilidade dos conteúdos online sobre saúde, e para isso, urge que o Ministério da Saúde que, por meio dos profissionais, orientem os pacientes a sempre fazer verificações para assegurar se o website que está a consultar é uma fonte credível de informação, revendo o site e as pessoas responsáveis por este. O profissional, também, esclareça que esse tipo de informação não pode servir como base para um diagnóstico por alguém sem treinamento médico, já que pode ser completamente mal interpretada, gerando ansiedade e preocupação quase sempre desnecessárias. E, assim, diminuir os impactos causados por tal impasse.