Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 03/09/2019

A internet revolucionou os meios de comunicação e consequentemente, facilitou o alcance às informações dos mais variados conteúdos. Nesse ínterim, o acesso à saúde foi reformulado para novos padrões e, apesar de seus benefícios, outra manifestação psicopatológica é amplamente discutida, além da dependência de jogos eletrônicos, Internet, cibersexo e celular: a cibercondria.                                                                                     A priori, o termo cibercondria foi criado a partir do neologismo dos termos ciber e hipocondria, isto é, tentativa de sanar as preocupações sobre o próprio estado de saúde através de sites de pesquisa. Nesse contexto, de acordo com estudo da Universidade de Baylor - EUA, os indivíduos tendem ao autodiagnostico e automedicação, atitudes que levam à cibercondria. Logo, pessoas ansiosas que já apresentam maior dificuldade para lidar com temas incertos, ao tentar apaziguar sua ansiedade com o “Dr. Google”, se deparam com milhares de explicações, intensificando a angústia e criando, desta forma, uma verdadeira bola de neve. Ademais, é indiscutível que a informação sobre saúde e doença se torna ainda mais disponível e de fácil acesso, uma vez que a internet está presente em todos os lares. Nessa perspectiva, segundo o ICTQ – Instituto farmacêutico - a cada 10 brasileiros, aproximadamente 8 tomam remédio por conta própria. Portanto, a qualquer sintoma, as pessoas recorrem à internet e não aos profissionais habilitados – médicos e farmacêuticos – e fazem da automedicação uma rotina, tardando um diagnóstico correto e correndo risco de vida. Destarte, constata-se a importância de se prevenir e tratar a cibercondria. Para tanto, faz-se imprescindível que o Ministério da Saúde em parceria com profissionais formados na área da saúde, busque a regulação de informações médicas mais abrangentes disponíveis na internet, a fim de evitar a problemática do autodiagnostico e automedicação. Ademais, os sites devem pedir informações sobre o visitante, conter apenas informações sintomáticas mais simples e evidenciar a importância de procurar uma avaliação médica. Assim, a internet deixaria de criar novos contornos a velhos problemas, principalmente quando se trata da vida de alguém.