Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 18/09/2019

Muito se discute acerca da hipocondria da era digital, cibercondria, termo criado por especialistas para uma patologia psicológica antiga, que com a chegada da revolução tecnológica no final do século XX, tomou novos contornos. O ser humano possui em seu íntimo uma curiosidade e ansiedade, que o torna vulnerável e o prende em um ciclo onde cria sintoma e doença inexistente, que em sua visão precisa ser tratado imediatamente.

Um dos escritores mais influentes do século XX, Franz Kafka, certa vez     pontuou: “A vida é um perpétuo desvio que nem sequer permite darmo-nos conta do que é que se desvia”. Essa frase remete para os dias atuais, a dificuldade da sociedade em perceber que está se desviando diariamente da percepção de procurar um médico especialista. A necessidade de procurar soluções imediatas através da internet, com a automedicação, para sintomas que muitas vezes podem ser psicológicos ou ter relação com um problema de saúde mais sério, acaba mascarando uma patologia quando se decide finalmente procurar um especialista.

Somado a isso, a facilidade que existe no Brasil para ter acesso a medicamentos, sem a obrigatoriedade de passar por um médico ou um profissional de saúde competente, que possa identificar a necessidade e o tipo de fármaco que deve ser utilizado. Causando, assim, crescente o ciclo da Cibercondria, aonde o melhor médico do Homem é a dependência  pela informação rápida que os mecanismos de buscas podem propiciar.

Pode-se perceber, portanto, a necessidade do Governo trabalhando com o Legislativo, regulamentar leis para o acesso as informações sobre remédios na internet e dificultar o acesso para cidadãos leigos aos medicamentos, coibindo os processos de autodiagnósticos errados. É importante a Sociedade se conscientizar que é importante procurar um médico sempre que tiver um sintoma, pois um indicativo mal resolvido pode se tornar um problema sério no futuro, atenuando assim a Cibercondria e os perigos que pode trazer.