Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 16/10/2019
É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito da Cibercondria: a doença da era digital. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente às novas formas de comportamento social, mas também, a inoperância estatal.
Iniciada na segunda metade do século XX, a Terceira Revolução Industrial, trouxe consigo inúmeros avanços à humanidade, a rápida difusão de informação e o constante fluxo mutatório das relações sociais se configuram como elementos característicos dos novos tempos, os tempos líquidos, termo proposto por Zygmunt Bauman, que designa o atual estágio da sociedade contemporânea. Tais aspectos, todavia, têm potencializado o remodelamento de muitas concepções ditas imutáveis até pouco tempo atrás, à exemplo, tem-se a substituição da tradicional consulta médica pelo autodiagnóstico e a automedicação, ambos realizados mediante pesquisas ao “Dr. Google”. Posto isso, medidas devem ser tomadas com o intuito de reverter essa realidade.
Em segunda análise, pontua-se o desleixo governamental como agente precursor do agravamento da situação. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles, defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas no que se refere à questão da saúde no Brasil, fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar a mazela social. Porquanto, os casos recorrentemente divulgados pelo portal de notícias G1, os quais revelam as dificuldades de se conseguir atendimento médico no país, exemplificam o desdém político-administrativo. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nos valores e nas ações políticosociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e os acontecimentos supracitados possam ser mitigados à população.
Logo, para que o triunfo sobre a Cibercondria seja consumado, urge que o Ministério da Saúde, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova melhorias na infraestrutura dos hospitais, de modo a atender às demandas da população. Ademais, essa ação deverá ser acompanhada pela abertura de postos de saúde nas regiões interioranas do país, com o fito de facilitar a busca do cidadão brasileiro por atendimento médico especializado. Ainda assim, recursos deverão ser aplicados em campanhas publicitárias, com o objetivo de explicar à população os males da automedicação e do autodiagnóstico. Dessarte, a pedra drummondiana moderna poderá ser removida do caminho social.