Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 16/09/2019

Com o advento da internet, a sociedade em geral se torna cada vez mais dependente desse meio, de modo que, hoje em dia, a maioria dos indivíduos conciliam a vida social, financeira e profissional com essa tecnologia. Apesar dessa prática trazer diversas vantagens, ela pode gerar diversos problemas, em principal a tentativa de solucionar o próprio estado de saúde com orientações virtuais, o que pode se chamar de cibercondria. Este fenômeno causa sérios problemas como a automedicação e é consequência direta da confiança indiscriminada nos conteúdos das mídias digitais.

É indubitável que a orientação profissional de um médico tende a ser mais verossímil que um texto qualquer publicado em uma página virtual, porém, sustenta-se hoje na sociedade a fé ao mundo digital, isso se comprova pela influência que notícias muitas vezes sensacionalistas exercem sobre as pessoas, mudando suas opiniões e atitudes. Além do mais, com toda a aceleração do cotidiano atual, processo que também está relacionado às tecnologias, faz-se necessário o uso de soluções rápidas para problemas corriqueiros, intensificando assim o quadro citado.

Como nos mostra Zygmunt Bauman, as sociedades atuais, após diversas transformações, vivem em um estado líquido, ou seja, tudo está propenso a ser mais rápido e passageiro, nunca muito sólido, logo, ideias como verossimilhança e credibilidade deixam de exercer muito poder e dão lugar a velocidade e acessibilidade. Em um contexto como esse, quando um indivíduo percebe algum sintoma de uma possível doença, ele se verá tentado a resolver isso de maneira ágil como o faz com os outros aspectos de seu dia a dia, buscando respostas no meio virtual, tomando o seu conteúdo por fidedigno.

Faz-se necessário, portanto, ações que coíbam o agravamento dessa situação. Para que a população brasileira se torne mais precavida e atenta aos perigos da cibercondria, o Ministério Da Saúde, em parceria com o MEC, deve criar um programa de conscientização em escolas e redes sociais, por meio de verbas governamentais que suportem o projeto, que oriente as pessoas sobre a necessidade de diferenciar conteúdos confiáveis e suspeitos, e também incentive a consulta ao profissional da saúde, pois é de suma importância.