Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 20/09/2019

O livro “Diário de um adolescente hipocondríaco”, lançado em 1987, narra a história de Peter Payne, um garoto de 14 anos de idade que se descobre compulsivo em relação ao seu estado de saúde. Ou seja, hipocondríaco. Consoante a literatura, hodiernamente é possível notar uma sociedade análoga a história vivenciada por Payne, marcada pela automedicação. No Brasil, essa prática está associada ao pensamento imediatista e sobretudo no livre acesso aos medicamentos, sem quê – em geral – o indivíduo apresente prescrição médica.

Em primeira análise, convém ressaltar um dito popular que reflete o pensamento retrógrado da sociedade, ele diz: ‘’De médico e louco, todo mundo tem um pouco’’. Ou seja, o provérbio afirma que qualquer um pode assumir o papel de um profissional qualificado, o que não condiz com a verdade. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, o mundo vive a modernidade líquida, isto é, um momento onde o ser humano prioriza o que é rápido. Em consequência disso, progressivamente, a população substitui os consultórios, pelos smartphones, que apresentam respostas instantâneas.

No ano de 2018, a Netflix lança um documentário sobre o uso e abuso do Adderall, medicamento que oferece a chance de produzir mais e melhor. O Adderall é utilizado no tratamento de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e narcolepsia, ainda sim, é consumido por muitos norte-americanos sem nenhum laudo médico. Ademais, conforme o levantamento do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade 79% dos brasileiros, em sua maioria jovens, consomem medicamentos sem receita.

Infere-se, portanto, que os Conselhos Regionais de Farmácia reforcem a fiscalização na venda dos fármacos, exigindo indicações médicas e que orientem farmacêuticos e balconistas á informarem a população sobre os perigos da automedicação. Como também, o Ministério da Saúde por meio de propagandas e debates construam um senso crítico na população, incentivando-os a procurar a assistência adequada.