Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 26/09/2019

Segundo Michel Foucault, filósofo francês, “conhecimento é poder, é imprescindível que a população tenha acesso a verdade”. Nessa perspectiva, a internet na contemporaneidade além de revolucionar os meios de comunicação e o acesso a diversos conteúdos, facilita a obtenção de informações sobre saúde e doenças. Embora, devido aos interesses econômicos e falácias disponíveis no âmbito digital, essa disseminação de ideias tem como consequência a cibercondria.

Em primeiro plano, cabe pontuar que o Brasil é recordista em automedicação, e que 43% dos brasileiros fazem autodiagnóstico pela internet, de acordo com dados do Instituto de Ciência, Tecnologia e qualidade. Por conseguinte, desde o final de 1990, transnacionais farmacêuticas promovem um marketing que “vende” doenças e sintomas sugestionáveis, influenciando diretamente o consumidor a comprar medicamentos, visto que, as informações na internet comprovam essa necessidade, tornando-se consumista cibercondríaco.

Em consequência disso, ao pesquisar dados na internet sem fontes confiáveis, essas pessoas elaboram seu diagnóstico e compram seus remédios, devido a disponibilidade que as farmácias têm em oferecer, sem exigir receita médica. Outrossim, a disponibilização desses conteúdos pode agravar o estado ansiedade e causar hipocondria.

Em virtude dos fatos mencionados, para que haja o combate efetivo da cibercondria é necessário que o Ministério de Saúde em parceria com institutos de pesquisa como a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), com o objetivo de produzir diversos conteúdos e veicular em redes sociais para fomentar o conhecimento sobre os riscos do autodiagnóstico e da automedicação e, dessa maneira reduzir os danos que por vezes são irreversíveis. Ademais, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) deve fiscalizar com mais atenção farmácias que não exigem receita para a venda de medicamentos para evitar uma prática consumista e irresponsável.