Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 27/09/2019

Consoante o filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman: " não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas." Essa visão, embora correta, não é efetivada no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, dado que a cibercondria afeta a sociedade no âmbito da saúde ocasionando uma alta taxa de indivíduos que realizam uma auto avaliação de saúde de forma errônea. Isso acontece ora pelo despreparo civil, ora pela inação das esferas governamentais para conter esse dilema. Assim, hão de ser analisados tais fatores a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.

Primeiramente, é imperioso destacar que a cibercondria é fruto do despreparo civil de interpretar e verificar informações contidas na web. Isso porque, mediante a ausência de uma orientação adequada, o indivíduo, com pressa de uma avaliação, acaba não verificando as fontes das pesquisas, corroborando para uma alta possibilidade que a informação adquirida pelo usuário seja falsa. Esse panorama evidencia-se, por exemplo, segundo a ICTQ (instituto de ciência, tecnologia e qualidade), mostra que mais da metade da população brasileira utiliza à web para fazer pesquisas sobre sintomas e, muitas das vezes, não certificam de qual fonte essa informação originou-se. Logo, é substancial a alteração desse quadro que vai de encontro à possibilidade de uma vida mais saudável.

Outrossim, pontua-se que a cibercondria, deriva, ainda, da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismo que coíbam tais recorrências. Isso se torna mais claro, por exemplo, segundo dados do portal de notícias G1, mostra que a precariedade da saúde pública do país corrobora com o aumento da cibercondria na sociedade, sobretudo para aqueles menos favorecidos, que não possuem um plano de saúde em um hospital privado. Ora, se um governo se omite diante de uma questão tão importante, entende-se, assim, o porquê de sua continuação. Dessa maneira, entende-se essa questão como uma problemática cuja resolução deve ser imediata.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater essa patologia que surge com o advento da internet. Para tanto, cabe ao Ministério da educação -ramo do estado responsável pela formação civil- inserir, nas escolas desde a tenra idade, palestras sobre a importância de verificar informações contidas na web, de cunho obrigatório em função da sua necessidade, além de difundir campanhas instrucionais, por meio de mídias de grande alcance, para que o sujeito busque informações corretas. Ademais, cabe ao Ministério da saúde, criar um plano de ação que melhore o Sistema único de saúde, por meio de verbas, para que a sociedade possa ter uma saúde pública de qualidade. Somente, assim, esse problema será gradativamente erradicado, pois, conforme o Gabriel pensador, " na mudança do pressente a gente molda o futuro"