Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 24/09/2019

Com o desenvolvimento da globalização e com o advento da revolução técnico-científica, as sociedades contemporânea tiveram o ritmo de vida altamente aceleradas e transformadas. Apesar de todos os benefícios que as ferramentas tecnológicas trouxeram, o excesso de seu uso tem acarretado problemas de ordem psicofisiológicas, como a “cibercondria”, o que corrobora o fato de se debater sobre as causas e as consequências para os usuários da internet.

Segundo o filósofo Pierre Lévy, os indivíduos hiperconectados em rede estão à mercê de perderem o limite entre o mundo real e o mundo virtual. Diante disso, e do acesso facilitado aos aparelhos que dão entrada para o uso da internet muitas pessoas tem tornado-se reféns da busca incessante por informações mediante pesquisas no “Google”. Tal atitude, colabora para o desenvolvimento do transtorno da “cibercondria”, uma vez que, a população tem dado credibilidade infalível para tudo o que se é postado ou divulgado no sistema digital sem ao menos ir em busca de outros recursos ou profissionais especializados que poderiam esclarecer as dúvidas pessoais, ou seja, transformaram a pesquisa na internet como solução para todos os problemas cotidianos.

Por conseguinte, de acordo com a filósofa Hannah Arendt, a naturalização e banalização do mal desenvolve-se  em meio a sociedade de uma forma assustadora. Assim, por exemplo, a ansiedade para alcançar respostas na internet no que tange diagnósticos médicos ou automedicação tem-se tornado algo normal e comum em detrimento do autocontrole do indivíduo. Além disso, a “cibercondria” também colabora para que doenças psicoemocionais como a neurose seja desenvolvida por pessoas saudáveis, já que eles poderão se deparar com dados que os levam a desenvolver excesso de preocupação, como uma descrição errônea de um câncer para uma pesquisa online de sintomas de doença simples.

Logo, é mister que o Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia, pressione os administradores de páginas de internet para que alertem os usuários durante o acesso quanto a importância da criticidade em relação aos conteúdos buscados. Ademais, se o assunto acessado tiver relação com algum profissional trabalhista, o site poderá, por exemplo, indicar os especialistas mais próximos na cidade do usuário, a fim de combater o desenvolvimento de mais uma doença psiquiátrica do século XXI e promover saúde mental para os desatentos em rede.