Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 23/09/2019
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. Conquanto, a doença digital impossibilita que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.
Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de saúde pública eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido na automedicação. De acordo com a pesquisa feita pelo ICTQ (instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico) 79% dos brasileiros com mais de 16 anos consomem remédios sem prescrição médica. Diante do exposto, o fácil acesso é uma das razões para o uso indiscriminado de remédios no Brasil.
Faz-se mister, ainda, salientar a facilidade para comprar medicamentos como impulsionador do problema. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticos e econômicas é a característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, cada vez mais as pessoas consomem medicamentos sem a orientação de um profissional, qualquer pessoa pode comprar um analgésico como se fosse uma bala.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de politicas que visem à construção de um mundo melhor. Cabe ao Ministério da Saúde desenvolver campanhas publicitárias que estimulem a procura de profissionais e usando melhor a internet criando um aplicativo com orientações de profissionais da saúde. Dessa forma, o Brasil poderia superar a automedicação.