Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 23/09/2019
De acordo com o sociólogo Zygmund Bauman, na obra ‘‘Modernidade Líquida’’, o individualismo é uma das principais características da pós-modernidade.Os avanços tecnológicos e a democratização da internet contribuíram para à mudança na maneira de se relacionar dos indivíduos, afetando até mesmo as relações entre médicos e pacientes, às quais estão sendo comprometidas pela Cibercondria, a doença da era digital.Nesse contexto, não há dúvidas de que a Cibercondria é um desafio no Brasil, pois pode gerar graves consequências como ansiedade, preocupação e automedicação desnecessárias , configurando diversos problemas sociais.
Primeiramente, evidencia-se a importância que a internet tem na vida do indivíduo, possibilitando o acesso à informações dos mais variados conteúdos, porém é necessário que haja um senso crítico em relação a algumas dessas pesquisas, sobretudo quanto à saúde.Antes mesmo de consultarem um médico muitas pessoas visitam vários sites em busca de uma solução rápida para o seu problema, não levando em conta sua falta de treinamento médico para interpretar os dados adquiridos, que resultam na distorção de fatos relevantes para o diagnóstico.Dessa forma, são geradas preocupações e ansiedades que levam-nas a acreditar em uma enfermidade que talvez só exista em seu pensamento.
Outro ponto relevante nessa temática, é o risco eminente da automedicação nesta prática de consulta com o “Dr Google”.Segundo uma pesquisa realizada pelo ICTQ (Instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico) setenta e nove por cento dos brasileiros tomam remédios sem nenhuma prescrição médica.Dessa maneira, ao invés de receberem acompanhamento específico que às orientarão quanto ao uso devido de algum medicamento caso necessário, bem como a melhor dosagem para o seu quadro, preferem se expor aos riscos como desenvolvimento de outra doença e indisposições causados pelos remédios.
Sendo assim, é indispensável a adoção de medidas para combater o problema.Logo, os médicos em parceria com a mídia, deverão desenvolver palestras por meio da televisão, informando a população sobre os possíveis riscos quanto a utilização incorreta da busca por informações com relação à saúde, para que a sociedade por conseguinte se conscientize.Ademais, o Ministério da saúde deverá proibir à venda de medicamentos sem receita médica, a fim de incentivar às pessoas a procurarem em primeiro lugar um especialista.Outras medidas devem ser tomadas, mas, conforme foi dito pela Madre Tereza de Calcutá, a “freira dos pobres”: o que faço é uma gota no meio do oceano, mas sem ela o oceano será menor.