Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 30/09/2019
Segundo a Teoria dos Ídolos de Francis Bacon, as falsas percepções humanas atrapalham a compreensão da realidade. Atualmente, portanto, faz-se necessário debater sobre a cibercondria - hipocondria da era digital - visto que essa manifestação psicopatológica aumenta as taxas de automedicação entre a população.
O filósofo espanhol Adolfo Vázquez afirmava que o aumento na frequência de determinado evento ocasionaria, erroneamente, sua naturalização. De maneira análoga, o manuseio frequente da internet para o autodiagnóstico tem sido motivo de debate entre os órgãos de saúde. Portanto, a cibercondria - distúrbio no qual a pessoa acredita estar sempre doente - está atrelada ao mundo virtual e pode gerar graves sequelas aos usuários da rede.
Conforme pesquisas realizadas pelo ICTG, instituto de pós-graduação para profissionais do mundo farmacêutico, cerca de 91% dos entrevistados na faixa etária de 25 a 34 anos admitem tomar remédios sem prescrição médica. Sob essa ótica, interpretações equivocadas de exames, desvios de tratamentos e exposição a procedimentos invasivos de risco podem acometer indivíduos cibercondríacos. Desse modo, visando evitar o aumento na superlotação do sistema público de saúde, percebe-se que, caso não haja uma provisão, o problema persistirá.
Por conseguinte, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, inserir na matriz curricular das escolas, públicas e privadas, matérias como “Saúde e sociedade”. Sendo assim, será possível promover o interesse social a questões de saúde pública, mitigando a automedicação. Ademais, cabe às mídias televisivas promover campanhas acerca dos perigos relacionados à cibercondria, transmitidas em horário nobre e diariamente, pois, consoante John Locke, “a influência do exemplo é penetrantíssima na alma”.