Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 26/09/2019

A internet foi criada no período da Guerra Fria com o intuito de preservar informações que poderiam ser perdidas em um possível ataque. Desde então, ela ganhou espaço e foi difundida mundialmente, sendo uma ferramenta amplamente utilizada nos dias atuais. Contudo, esse universo de facilidades trouxe consigo algumas preocupações, como a Cibercondria, que se trata do uso recorrente da rede para buscar informações sobre doenças. Destarte, a problemática se tornou um vício e atua em diferentes pontos que passam desde os perigos da automedicação até o dano psicológico que o autodiagnostico pode causar.

A priori, o filósofo Rousseau, “O homem abre mão de sua liberdade para que o Estado o proteja”. Nesse contexto, a insegurança gerada pela facilidade ao acesso a medicamentos sem prescrição, vai de encontro à máxima defendida pelo filósofo. De acordo com o ICTQ (Instituto de Pós-Graduação para Profissionais do Mercado Farmacêutico), cerca de 79% dos brasileiros com mais de dezesseis anos praticam a automedicação. Dessa forma, o cenário traçado é preocupante, pois não é levada em conta a condição de saúde de cada indivíduo, a confirmação da enfermidade e nem a dosagem condizente, podendo acarretar em complicações severas à saúde da pessoa.

Outrossim, um dano psicológico grave pode ser gerados devido ao autodiagnostico, uma vez que várias enfermidades possuem sintomas parecidos. O acesso a informações que a internet proporcionou ao indivíduo comum, possibilitou o autodiagnostico, sendo assim, algumas pessoas ficam obcecadas por pesquisar qualquer anormalidade física enfrentada e acabam por acreditar que possuem certas doenças, o problema é que nem sempre esses dados estão corretos e podem causar danos irreparáveis ao psicológico do indivíduo, caso ele acredite possuir uma doença grave, quando pode ser uma enfermidade mais simples. Logo, é necessário uma intervenção estatal para preservar a saúde física e psicológica do seu cidadão.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esta problemática, Urge que o Ministério da Saúde, através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, assinar uma portaria normativa de modo a limitar o número de medicamentos que podem ser vendidos sem uso de prescrição e fiscalizar os pontos de venda para cumprir o ato, para assim minimizar o número de pessoas que realizam a automedicação. Ademais, o Ministério da Educação crie um programa nacional de ensino e distribuição de cartilhas alertando os perigos de se autodiagnosticar e de automedicar, fazendo a distribuição em todos os graus de ensino no País. Visto isso que elas possuem o caráter socializador do Estado, com o intuito de alertar sobre os riscos que a ação pode causar.