Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 05/10/2019
“Era uma tosse. Eu sabia que era só uma tosse, mas eu precisava. Eu precisava pesquisar. E já não era mais só uma tosse. Era tudo. O tudo me amedrontava. E em um ciclo vicioso, eu precisava pesquisar mais uma vez.” Esse relato fictício - embora verosímil - denúncia um fato marcante nos dias atuais: a cibercondria. Com efeito, esse distúrbio social é reflexo de uma sociedade individualista e precisa ser superado pela formação educacional crítica.
Em primeiro plano, é notório como o individualismo acentuado, característico das últimas décadas, contribui para o desenvolvimento da cibercondria. Nesse viés, o filósofo Byung-Chul Han, em sua obra “A sociedade do cansaço”, evidencia que as relações contemporâneas são vinculadas a individualidade. Sendo assim, a sociedade nega ajudas, por vezes necessárias, e vive a onda do “eu consigo”, em que o sujeito se submete a tentar resolver seus problemas sem a participação de nenhum outro indivíduo. Logo, infelizmente, tais pessoas tendem a buscar seu próprio diagnóstico, a fim de se auto medicarem, já que não vê a importância das interações sociais, e se submetem ao risco de tal procura afetar seu psico-emocional e contribuir para o maior número de casos dessa doença.
Paralelo a isso, a falta de uma educação digital permite que a cibercondria se manifeste de forma mais ampla. Nesse sentido, de acordo com o pensador Paulo Freire, a formação de uma pedagogia crítica é fundamental para liberdade. Destarte, caso haja investimentos na área educacional, o bombeamento de informações promovidas pela internet, notória no século XXI, não serão filtradas pe los indivíduos de forma passiva, os libertando de problemas como essa doença.
Em suma, torna-se irremediável uma mudança nesse paradigma. Para tal, cabe ao Ministério da Educação criar um programa educacional de conhecimento digital, por meio de incentivos fiscais, que reverberem a importância do desenvolvimento crítico durante as pesquisas, a fim de que esses indivíduos se engajem contra a cibercondria. Então, o “Eu preciso pesquisar” não será mais frequente nessa sociedade.