Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 25/09/2019

Um alarde descabido, uma eufemização de sintomas graves, uma medicação indevida, são alguns dos problemas recorrentes àqueles que confiam plenamente nos resultados de buscadores na Internet. Tais pesquisas se devem ao acesso facilitado à informação que podem levar a um diagnóstico divergente do adequado. Esse perceptível excesso de confiança dos enfermos na rede mundial de computadores trouxe malefícios como o aumento da automedicação e da dependência química de remédios.

A priori, cabe destacar que, segundo Vincent Di Maio, a mente humana confia mais na própria capacidade de discernimento do que nos fatos. O posicionamento do médico legista corrobora com a manifestação da população em cada vez mais tomar decisões sem consultar o profissional especialista. Diante dessa atitude, percebe-se um aumento significativo no número de automedicações, a qual levam a casos frequentes de agravamento dos sintomas ou overdoses que poderiam ser evitadas sob orientação médica.

Outrossim é a definição de poder por Max Weber como sendo a probabilidade de impor a vontade numa relação social. O poder definido pelo filósofo é percebido na relação entre empresas farmacêuticas e consumidor, na qual estes sofrem, frequentemente, com intensos bombardeios de propaganda e marketing, nas redes sociais, incentivadores ao uso de drogas que deveriam ser prescritas somente por profissionais da saúde competentes. Essa divulgação demasiada concomitante à facilidade de acesso aos medicamentos nas farmácias resultam numa população cada vez mais propensa à dependência química de medicamentos.

Urge, portanto, o emprego de algumas medidas providenciais para controlar o acesso aos medicamentos sem prescrição médica. Destarte, é preciso que órgãos reguladores da saúde fiscalizem com rigor a venda de remédios exclusivos sob prescrição médica para evitar o consumo indiscriminado aos fármacos com restrição de uso. Tal controle pode ser concretizado por meio de agentes que reponham o estoque das farmácias somente com recolhimento das receitas médicas respectivas às vendas anteriores. Dessa forma, espera-se migrar o elevado número de autoatendimentos virtuais para o lugar de praxe: no consultório, sob a orientação médica.