Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 24/09/2019
Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu em sua teoria sobre ´´habitus´´ a sociedade incorpora as estruturas que são impostas a sua realidade, após aderir a comunidade neutraliza e por fim reproduz. Nesse sentido, a ´´era da desinformação´´ é culminada mediante aos hábitos das manipulações comportamentais dos indivíduos, sendo refletida em uma nova doença psicopatológica, fundamentada através de pesquisas sobre conceitos medicinais: a cibercondria. Tal realidade é constatada, nos autodiagnósticos, como na escassa filtração crítica.
Nesse contexto, é indubitável que a comercialização de medicamentos associado aos mecanismos do capitalismo nas esferas digitais, são fatores que consistem no desenvolvimento desse hábito em questão. Bem como, a sistematização das indústrias farmacêuticas em disponibilizar seus processos de vendas onlines, diante desse panorama, os indivíduos são moldados às práticas do imediatismo, por conseguinte, recorrendo à internet, prática, para se estabilizar de uma mal estar, de acordo com buscas de sintomas nos sites, levando ao autodiagnóstico e até a automedicação. Desse modo, segundo o Conselho Federal de Farmácia, 79% da população faz o uso de remédios sem prescrição médica, assim vulnerabilizando o ato profissional e a própria saúde, de acordo com as consequências desse ato.
Além do mais, diante dessa dimensão de aspectos supracitados vale ressaltar a frágil filtração no espaço cibernético, primordialmente sobre causas de saúde. Com isso, as pesquisas por indagações nas redes diante a intervenção médica, obtêm-se na maioria das vezes resultados inverídicos, logo, manipulando o modo do indivíduo, que acaba gerando transtornos psicológicos de acordo com a falta de interpretação e as corretas buscas em sites confiáveis, em meio a um cenário de constantes notícias falsas. Dessa maneira, no território suíço, o Conselho de Medicina criou um mecanismo de segurança que protege a divulgação de assuntos determinado à saúde, uma prática distinta do molde da conjuntura brasileira.
Portanto, os moldes impostos na estrutura social vigente devem ser reivindicados no ramo digital, desse modo, cabe ao Ministério da Saúde (MS) associado ao Marco civil da Internet, fiscalizar as exposições de temas direcionados a fisiologia humana, por meio de alertas de seguranças nos sites. Além disso, o (MS) deve instituir, nos espaços cibernéticos, palestras virtuais, realizadas por psicológicos e profissionais da área, que discutam sobre a manipulação e as consequências psicopatológicas a cerca dessa hipocôndria, ocorrendo semanalmente para todos públicos internautas, assim fragmentando os hábitos dessa estrutura desenvolvida por esses indivíduos do século XXI.
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