Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 24/09/2019
Na série “Black Mirror”, produzida pela plataforma de streaming Netflix, é retratada a relação do homem com a tecnologia e como isso pode impactar na vida do ser humano, gerando, muitas vezes, consequências nocivas para a própria saúde. Fora da ficção, é perceptível que a tecnologia tem um ganhado muito espaço no cotidiano das pessoas, o que tem influenciado no surgimento de um novo problema, intrinsecamente relacionado ao uso indiscriminado dos meios tecnológicos, a Cibercondria, que se trata da hipocondria associada ao uso da tecnologia. Destarte, sabe-se que essa problemática está relacionada ao crescimento da automedicação no Brasil e também ao risco de um falso diagnóstico, sendo algo alarmante para contemporaneidade. Nessa perspectiva, é impreterível a necessidade de uma intervenção governamental com o fito de mitigar os problemas supracitados.
A princípio, ressalta-se que, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a automedicação é um dos maiores causadores de intoxicação no Brasil. Esse dado demonstra o quanto o uso irresponsável de medicamentos pode causar consequências danosas ao organismo humano. Desse modo, é notável que a automedicação, atualmente, está fortemente associada à tecnologia, uma vez que muitas pessoas usam a internet para se automedicarem, buscando soluções rápidas e baratas que causam grandes problemas futuramente.
Outrossim, segundo a máxima socrática, o ser humano comete erros devido à própria ignorância. Por conseguinte, é indubitável que o homem tem agido de forma inconsequente e ignorante em relação ao uso da tecnologia, tendo em vista que muitas pessoas usam o Google para se autodiagnosticarem e assim fugirem do consultório médico. Dessa forma, o autodiagnóstico é um problema conspícuo na sociedade brasileira hodierna, que deve ser combatido, pois pode acarretar diversos problemas para a vida das pessoas, incluindo o diagnóstico errôneo de doenças graves.
Infere-se, portanto, a premência de buscar soluções viáveis para essa problemática. Para isso, é de suma importância que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, busque desenvolver um projeto de erradicação da Cibercondria, por meio de uma campanha que leve informação aos centros educacionais e locais de trabalho, com o intuito de informar e conscientizar as pessoas sobre os riscos da automedicação e também do grande perigo do autodiagnóstico. Ademais, cabe ao Ministério da Educação promover um mutirão de profissionais de saúde nas zonas comunitárias, a fim de otimizar os atendimentos e consequentemente, diminuir a busca por diagnósticos online. Assim, o Brasil estará caminhando para um futuro melhor, no qual o uso da tecnologia não seja mais nocivo como retratado em Black Mirror.