Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 01/10/2019

Em meados do século XX, após a segunda guerra mundial, a terceira Revolução Industrial, também conhecida como “Revolução Técnico Científica Informacional”, corresponde ao período de aprimoramento e avanço das tecnologias que abrangeram o campo da ciência. O fácil acesso as informações obtidas na esfera da ciência é um dos grandes resultados desse evento, conquanto, o uso inadequado desses conhecimentos impossibilita que a população desfrute, de maneira saudável, desses progressos. Uma das consequências de tal postura negligente é a cibercondria — ansiedade de diagnosticar um possível problema de saúde através de pesquisas na internet — que persiste intrinsecamente ligada a realidade dos brasileiros. Nesse sentido, convém analisar as principais causas e consequências de tal quadro vigente.

Em primeiro lugar, tratando-se de saúde, o avanço das tecnologias permite que qualquer pessoa, com um dispositivo conectado a internet, encontre, em frações de segundos, possíveis soluções para quaisquer sejam seus sintomas. Esse hábito demonstra preocupação do indivíduo com seu estado de saúde, e seria racional acreditar que essa prática solucionaria boa parte dos problemas de saúde pública, contudo, a realidade é justamento o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido na cibercondria. Ainda que confiáveis as fontes de pesquisas, o paciente não possui capacitação médica para interpretar seus sintomas diante de aspectos variáveis, como histórico clínico ou diagnóstico de exames. Logo, simples sintomas podem ser confundidos com graves doenças e se tornar motivo de grande ansiedade e depressão entres os paciente.

Em segundo lugar, com a diversidade de artigos online sobre saúde, o auto-diagnóstico cresceu e se tornou um fator preponderante na persistência da cibercondria na sociedade moderna. Em decorrência disso, o índice de automedicação cresce pois, o cidadão, em alguns casos, se abstêm da consulta médica por acreditar ter “encontrado seu diagnóstico”. De acordo com o Google — empresa multinacional americana de serviços online e software — as pesquisas referentes a saúde, entre os brasileiros, cresceram cerca de 17,3%.

Diante do exposto, portanto, o questionamento que fica é como intervir de maneira mais eficiente para a mudança desses fatos. Nesse viés, uma possível transformação poderia ser alcançada por parte do Ministério da Saúde, criando novas campanhas de conscientização a respeito da cibercondria e seus malefícios, e divulgar nos veículos de mídia e, principalmente, nas redes socais. Outra medida eficaz pode ser obtida pelo MEC (Ministério da Educação), instituindo na escolas, palestras ministradas por profissionais da saúde, que alertem sobre os riscos desse hábito.