Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 07/10/2019
No livro “A galáxia de Gutenberg” de Marshall McLuhan, é abordado a nova interdependência eletrônica em que recria o mundo ante uma imagem de aldeia global, de modo que informações e comunicação encurta as distancias no mundo e atua no amparo com os seres. Fora da diegese, é notável que os avanços tecnológicos tratado por McLuhan podem ser relacionados a cibercondria, uma doença da nova era digital em que a informações se torna cada vez mais acessível ao público, que recorre à internet pelo que está sentindo para obter um diagnóstico de saúde. Assim, torna-se vital analisar o acesso ao sistema de saúde, bem como a regulação dos informes para lograr a veracidade dos sites.
Em primeira análise, é visível que a cibercondria é gerada pelas tecnologias e a sua facilidade de obtenção. Isso, consoante ao pensamento de Albert Einsten, de quão chocantemente óbvio, a tecnologia já tinha excedido a humanidade, demonstra o quanto o ser se tornou dependente desses avanços, visto que, no que tange a utilização para a busca acerca de sintomas, doenças e tratamentos, cria-se um vínculo unilateral, contendo diagnósticos errôneos e aterrorizantes, de modo que o indivíduo começa a achar que está sempre doente, desenvolvendo um quadro de hipocondria. Portanto, pelo fato de o meio digital ser mediatizado por informes, o sujeito é levado a um estado mental aviltante, podendo acarretar sentimentos de medo e aflição, tal qual o Expressionismo da Vanguarda Europeia.
Por conseguinte, é lícito postular que, a deficiência da saúde, primordialmente pública, brasileira são um dos entraves que fazem com que indivíduos optem pela internet para obter alguma resposta do que estão sentindo. Sob essa perspectiva, é vital aferir que o difícil acesso à saúde e na sua totalidade proveniente da má gestão governamental, no qual a problemática envolve desde o ineficiente recurso destinado a área ao grande número de pessoas nas filas de espera, o que leva a potencialização da busca pelo diagnostico a partir dos meios digitais. Assim, de acordo com pesquisas da OMS, 80% da população global buscam uma ajuda online, de modo que a ausência nos atendimentos impedem consultas medicas e os indivíduos tem a automedicação e o autodiagnostico como solução.
Infere-se, portanto, que haja o imediatismo do impulsionador do problema. Urge que o Ministério da Saúde destine mais recursos para o atendimento básico e viabilize a clareza ao acesso à saúde, para que mais pessoas possam ter suas dúvidas e doenças solucionadas, a partir da análise de um direito irrestrito a todos. Ademais, o Poder Público, deve atuar na liberação de campanhas socioeducativas, acerca da necessidade primeira pela procura de um médico, e os efeitos negativos que a cibercondria pode acarretar no indivíduo. Assim, será possível atingir uma sociedade mais pragmática e com o pensamento de McLuhan vivenciado, para um amparo, em sua totalidade, entre os seres.