Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 29/09/2019

A hipocondria consiste em um quadro de medo excessivo e não realista de possuir alguma doença, mesmo que não tenha sido diagnosticada. Nesse sentido, na conjuntura contemporânea, esse distúrbio psíquico ganha um desdobramento, a cibercondria, derivado do uso frequente da internet como meio de busca de informações sobre sintomas e enfermidades. Assim, cabe a discussão acerca da causa e consequências dessa problemática presente na sociedade digital.

Convém ressaltar, a princípio, os avanços técnico-científicos dos meios de comunicação que permitiram a facilidade e a comodidade do acesso aos mais diversos tipos de informações, como aquelas relacionadas a saúde. Dessa forma, essa realidade possibilita aos usuários da rede desenvolverem o costume de recorrerem a internet na tentativa de elucidar suas possíveis enfermidades. Assim, conforme a sociologia weberiana que mostra o indivíduo movido pela obediência a hábitos fortemente enraizados em sua vida, essa autonomia para se autodiagnosticar torna se corriqueira e, além disso, passa a substituir a orientação médica. Com isso, é na forma como usuário assimila e pondera esses dados que determina sua tendência a cibercondria, uma vez que fontes sem credibilidade ou fatos muito generalizados podem tangencia-lo para situações que não correspondem a realidade, o que requer um comportamento reflexivo e crítico por parte de quem usa esse mecanismo.

Outrossim, esse comportamento reflete em alterações onerosas na qualidade de vida de quem possui esse distúrbio. Isso porque ao acreditar veemente no que leem em sites médicos ou fóruns de relatos de experiências, o usuário passa apresentar um quadro de maior ansiedade, medo e confusão, além de impulsionar a automedicação. Assim, esse problema tende a funcionar como um ciclo vicioso, visto que quanto mais o paciente pesquisa, mais danosa pode parecer a situação, o que pode piorar os quadros de nervosismo e dos sintomas apresentados. Com isso, surge a necessidade desse impasse ser tratado como uma questão de saúde pública, tendo em vista que a Carta Maior de 1988, em seu artigo 196, atribui ao Estado o papel de reduzir o risco de doenças e de seus agravos.

Portanto, é notável a necessidade de buscar propostas para amenizar a ocorrência da cibercondria. Para tanto, o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, deve esclarecer a população, por meio de campanhas veiculadas nos meios digitais, com informações acerca dos riscos de negligenciar orientação médica e da importância de checar as fontes de consultas. Espera-se, com isso, promover o aumento de pessoas com esse conhecimento e diminuir o número de possíveis acometidos. Pois, é nesse caminho que a internet se configurará como um ambiente mais benéfico.