Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 07/10/2019

No filme, “Nerve: um jogo sem regras “, a possibilidade de adquirir elevadas quantias de dinheiro, por intermédio de desafios virtuais públicos revela a internet como um meio dinâmico e inovador responsável por elevar o prestígio social do usuário. Hodiernamente, a facilidade de acesso ao compartilhar notícias na internet leva o indivíduo a se automedicar, de forma frequente, tendo em vista a comodidade oferecida pelas redes digitais. Ademais, as dificuldades cotidianas que os cidadãos enfrentam em adquirir um atendimento hospitalar de qualidade induz esses a procurar na rede a cura para as possíveis patologias.

A priori, sob a ótica do filósofo Michael Foucault, o Governo deve ter a capacidade de resolver os problemas sociais e, nesse caso, proteger e conscientizar os cidadãos. Contudo, a tradicional tendência que os políticos têm em investir nos setores voltados puramente para o enriquecimento econômico do país provoca a multiplicação de seres que recorrem a internet para o esclarecimento das possíveis patologias. Isso decorre, dessa maneira, da falta de comprometimento do Estado em estabelecer um sistema de saúde bem estruturado, porquanto o inchamento hospitalar além do descaso dos profissionais em orientar corretamente o paciente obriga este a automedicar-se para evitar a consulta precária.

A posteriori, segundo Jean Paul Sartre, o homem em sua essência inata é livre, tendo o privilégio de exercitar sua liberdade de escolha. Entretanto, o comodismo aliado as inúmeras ferramentas de compartilhamento de informações constrói no cidadão a falsa impressão de que seus problemas de saúde serão resolvidos por meio do simples “ click” de um mouse. Nesse âmbito, a existência de notícias inverídicas e tendenciosas sobre medicamentos milagrosos, disseminados nas redes, impele o ator social a adquirir o produto sem pensar nas possíveis consequências negativas – como diarreia e convulsões – que seu uso poderá causar.

Destarte, urge que o Ministério da saúde provoque a criação de clínicas ambulantes, dispersas nos bairros periféricos populosos, que ofereçam atendimento gratuito além da doação responsável dos medicamentos aos atores, a fim de diminuir, de forma substancial, o número de hipocondríacos no seio coletivo. Por fim, é mister que o setor Legislativo promova o enrijecimento das leis referentes aos canais digitais que comercializam remédios sem prescrição médica com o fechamento imediato e permanente dos sites eletrônicos, além do cumprimento obrigatório das penas judiciais em regime fechado, por atentar contra a saúde do paciente, no fito de eliminar, gradativamente, a cybercondria do cotidiano do tecido grupal.