Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 03/10/2019

Cibercondria é um neologismo das palavras Ciber e hipocondria, sendo uma psicopatologia em que o indivíduo possui obsessão com a ideia de estar sempre doente, logo, recorrendo a pesquisas na internet. Quando essas buscas são utilizadas de maneira errônea, surgem sérios problemas para a saúde pública do país que encontra explicação para fatores como a facilidade no diagnóstico virtual e uso indiscriminado de remédios.

Quando o sociólogo alemão Ulrich Bech afirma que a modernização não entrou no seu próprio Pós mas voltou-se contra si mesma, ratifica os entraves do mau uso da internet nos dias atuais. A prática excessiva de pesquisas relacionadas a doenças pode se tornar um vício, pois um diagnóstico rápido na internet é muito mais cômodo do que ir ao médico esperar para ser atendido e passar por uma avaliação completa. Assim, o sujeito adquire atos compulsivos com a convicção de que possui uma certa doença, desenvolvendo um quadro de hipocondria.

De acordo com uma pesquisa do ICTQ (Instituto de Pós-Graduação para Profissionais do Mercado Farmacêutico), a automedicação é praticada por 79% dos brasileiros com mais de 16 anos. Esse dado evidencia que, no Brasil, além da facilidade de diagnóstico via web, há também a disponibilização de remédios vendidos sem prescrição médica. Por conseguinte, com a influência de publicidade farmacêutica e dos bons preços, o cidadão gera um ato compulsivo na compra de remédios, dando a possibilidade de agravar a doença real e no surgimento de outras, uma vez que a pessoa pode ingerir medicamentos que façam mal à própria saúde.

Em virtude dos fatos mencionados é possível perceber que a Cibercondria se torna cada vez mais um problema de saúde pública moderno, de tal forma que a internet possibilita o acesso a informações ilimitadas que nem sempre são confiáveis. Portanto, é imprescindível que o Ministério da Saúde promova mais investimentos nos estabelecimentos de saúde, contratando um número de profissionais necessários para o efetivo atendimento da população e também desenvolvendo projetos de conscientização visando os males de diagnóstico virtual e automedicação. Desse modo, será possível fazer com que os indivíduos se desgarrem aos poucos da ideia de que podem solucionar doenças sem ajuda de um médico. Sendo assim, o Brasil terá mais possibilidades de ter uma saúde pública com mais qualidade e segurança.