Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 03/10/2019

“A nossa tecnologia ultrapassou a nossa humanidade”. A frase anterior, dita por Albert Einstein, se encaixa no contexto brasileiro atual, em que, o mau uso da internet pode até mesmo agravar determinadas doenças, como a hipocondria. Cujo distúrbio, também é chamado de “cibercondria”, uma vez que, seus portadores utilizam as redes para procurarem remédios, causas e consequências de seus sintomas. No entanto, além da internet, que pode piorar o quadro dos hipocondríacos, a indústria farmacêutica, muitas vezes, se beneficia com o uso exacerbado de medicamentos, não esforçando-se para combater seus malefícios na população.

Em primeira análise, vale ressaltar que, de acordo com o documentário “Tome suas pílulas”, é cada vez mais frequente as pessoas deixarem sua saúde em segundo plano com intuito de obter alguma vantagem com o uso de remédios, sendo que, a maioria delas foram influenciadas pela mídia a adotar este hábito. Tal estratégia, utilizada pelos meios de comunicação, faz parte da “Indústria Cultural”, termo assim denominado pela Escola de Frankfurt, em que, até mesmo as propagandas de medicamentos têm o objetivo de incitar a compra. No entanto, esta artimanha vai contra a Constituição, uma vez que, nela consta a garantia da redução do risco de doenças e outros agraves, e a auto medicação resulta em exatamente o oposto do que dita a Carta Magna.

Além disso, pessoas com “cibercondria” também podem sofrer com o abuso e interesse das indústrias farmacêuticas. De acordo com a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa, o Brasil faturou 12 bilhões de dólares com a venda de medicamentos em 2008, cujo valor poderia não ter sido tão elevado se tantas pessoas não tomassem remédios sem a real necessidade. Cujo fato, foi sintetizando na peça de teatro “O doente imaginário”, de Molière, a qual um médico e um farmacêutico beneficiam-se da obsessão de um idoso hipocondríaco. Apesar da obra ser fictícia, a mesma exploração ocorre e é frequente no país.

Em suma, medidas para amenizar o número de “cibercondríacos” precisam ser tomadas. Iniciando pelas escolas, que deverão realizar palestras abertas à comunidade, por meio de um trabalho interdisciplinar com os próprios alunos, os quais, deverão estudar sobre o distúrbio, para que, juntamente com os professores, possam informar ao público o riscos de auto medicar-se apenas com dados da internet. Como também, o Governo Federal deve aprovar uma lei para que a totalidade dos medicamentos sejam vendidos sob prescrição médica, por intermédio de uma consulta com a população, feita por uma votação on-line, para posterior implementação, buscando assim, diminuir os agraves e mortes resultantes da “cibercondria”.