Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 07/10/2019
Saúde defasada
A Terceira Revolução Industrial teve início na década de 1940 e destacou-se o uso das tecnologias para minimizar os custos e o tempo de produção. Da pluralização dos avanços até a facilidade de acessar informações, a nociva cibercondria revela suas raízes do desamparo do poder público e, ainda sofre diante dos perigos da automedicação - uma barbárie, incoerentemente, (oni) presente.
Em primeiro plano, adaptando a ideia de modernidade, presume-se que hodiernamente, o prazer imediato apresenta prioridade na vida dos cidadãos. Nesse sentido, com a facilidade em adquirir informações aliado ao ditado popular “quem tem dor, tem pressa”, basta uma busca rápida dos sintomas na Internet para encontrar um remédio para tal finalidade. Por outro lado, se esta prática tornar-se recorrente e realizada em sites não confiáveis, futuramente, poderá mascarar doenças graves no indivíduo, já que, o precário investimento na área da saúde pelo sistema público e/ou privado implica o encaminhamento de consultas eletivas, de modo que deixa a população desassistida e, como solução optam pela automedicação.
Sob esse prisma, a utilização de fármacos, historicamente, acompanha a medicina visando atuar na dor e não na cura das doenças e, quando praticada por cidadãos que se autodiagnosticam sem buscar a causa da patologia estarão sujeitos a sentir efeitos colaterais indesejáveis ou piorar o estado de saúde. De acordo com o Ministério da Saúde, a cada 10 brasileiros, 8 tomam remédios por conta própria; e o perigo torna-se maior tendo em vista se a medicação for antibiótico, à medida que recrudesce na resistência dos microrganismos e permite a sobrevivência e multiplicação aos milhares. Por conseguinte, estes recortes devem ser extremamente combatidos por um Estado que se pretende ser eficaz em proporcionar condições saudáveis de vida a seus cidadãos.
Infere-se, pois, que a descabida cibercondria conclama políticas públicas ativas. Dessa forma, as Secretarias Municipais de Saúde precisam realizar a contratação de médicos para as Unidades Básicas, por meio de concursos, a fim de dar assistência à população integralmente. E, o Conselho Federal de Medicina propor a fiscalização e regulação de informações médicas na Internet, para amenizar o processo de autodiagnóstico. Logo, estratégias que melhorem a saúde defasada da nação verde amarelo.