Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 26/09/2019
O advento das novas tecnologias trouxe, principalmente a partir do século XXI, inúmeras implicações ao modo de vida da sociedade, dentre elas a facilidade de acesso à informação, sobretudo acerca de doenças. Assim, foi possível o desenvolvimento da cibercondria, a qual traz como consequências o autodiagnóstico e a automedicação. Esse processo é reforçado pela falta de ação efetiva do governo.
A priori, sabe-se que a internet tem possibilitado que as pessoas, de forma compulsiva, consultem os sintomas de patologias que acreditam estar sofrendo, e tomem o resultado como diagnóstico. Isso se dá porque a população, sobretudo os ansiosos, têm uma preocupação excessiva com a saúde, que pensam aliviar através de pesquisas no Google. Entretanto, a cibercondria tem, na verdade, piorado quadros de ansiedade e resultado no autodiagnóstico. Prova clara disso é que, conforme o Instituto de Ciência e Tecnologia de Qualidade (ICTQ), 40% da população se diagnosticam através da internet.
A posteriori, nem sempre as informações contidas na rede mundial de computadores estão corretas. Dessa forma, uma simples dor de cabeça vira um câncer ou vice-versa. Consequência direta é, além do autodiagnostico, a automedicação, a qual pode gerar inadequação terapêutica e agravamento da patologia. Esse processo é acentuado pelo governo que permite a venda de medicamentos como se fossem simples chicletes, de acordo com o cardiologista Marcos Vinícius Gaz.
Portanto, a fim de erradicar a cibercondria, faz-se necessário que o Ministério da Saúde, órgão responsável pelo planejamento salutar, promova campanhas publicitárias, por meio de parceria com a mídia, que incitem o debate acerca dos problemas por trás do autodiagnóstico, através da internet, com o objetivo de minimizá-lo. Ademais, o governo deve elaborar, por intermédio do Poder Legislativo, uma lei que regulamente a venda de remédios, com o intuito de combater a automedicação. Assim, as novas tecnologias não teriam, no âmbito da saúde, implicações negativas.