Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 07/10/2019

A ascensão da internet ocasionou incontáveis mudanças à sociedade atual, através do contato instantâneo com a informação. Com isso, para muitos, a busca por diagnóstico médico tornou-se obsoleta e a internet primordial no autodiagnóstico de doenças e na compra de medicamentos. Entretanto, o uso inconsciente dessa ferramenta pode trazer consequências para o indivíduo através da adoção de medidas medicamentosas que não condiz com o real problema. Sob esse viés, faz-se necessário a discussão sobre os fatores que motivam as pessoas a desenvolver a cibercondria - mazela da era digital, tais como: as péssimas condições oferecidas pelo sistema público de saúde e o intenso conteúdo apelativo das propagandas destinadas à automedicação e venda de remédios.

Primordialmente, um dos motivos que estimulam a consolidação da cibercondria é o déficit no atendimento no SUS, sistema único de saúde, devido a longas filas de espera para o diagnóstico médico a maioria da população opta pela busca da solução de seus problemas no difundido “Dr. Google”. Dessa maneira, a população que recorre a essa prática se expõe aos possíveis erros da automedicação e, consequentemente, pode acarretar em impasses ainda mais graves ao encobrir doenças mais perigosas ou até mesmo ao promover a seleção natural dos micro-organismos patogênicos existentes, com o uso errôneo de remédios. Conforme Controladoria-Geral da União, espera por consulta no SUS pode demorar até 7 anos e ainda mais uns seis meses para conseguir fazer todos os exames e ter o retorno do serviço médico.

Além disso, a comercialização de um medicamento e as estratégias de marketing de venda deste produto, através da comunicação de massa, induzem cada vez mais a prática do autodiagnostico pela rede de internet em casa, além de estimular o uso inadequado de fármacos. Com isso, é comum ver em canais populares televisivos, propagandas incitarem a busca imediata pelo alívio dos sintomas e, somente depois da persistência da mazela, instigam à procura de um profissional da saúde. Segundo site do Estadão, pesquisa revela que Brasil lidera aumento das buscas por temas de saúde no Google e cerca de 26% dos brasileiros recorrem primeiro à plataforma ao se deparar com impasses de saúde e não se atentam aos riscos.

Logo, medidas devem ser tomadas pelo Ministério de Saúde a fim de priorizar melhores atendimentos gratuitos no âmbito da saúde à população. Tais como: a contratação e consolidação de mais postos médicos na áreas de consulta do SUS distribuído pelo país, além de aliar-se ao Conar e à Anvisa, para liberar em rede nacional televisiva e nas redes sociais propagandas informativas sobre os perigos da cibercondria e as condutas a serem tomadas ao pesquisar sobre doenças na internet.