Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 30/09/2019

Em “Medo Líquido”, o sociólogo Zygmunt Bauman alude acerca de algumas inquietudes que afligem o ser humano pós-moderno, das quais destaca-se a ameaça à integridade física. Sob esse âmbito, esses temores ficam nítidos ao analisar a cibercondria na sociedade hodierna, transtorno caracterizado pelo pavor inexplicado de ter uma doença grave por parte de indivíduos sadios, o que pode ocasionar impactos negativos negativos para a saúde, sobretudo a automedicação. Nesse contexto, o combate a essa realidade passa pelo reforço educativo e pela fomentação ao senso crítico.

A princípio, ressalta-se a evolução da disseminação na atual era digital como um dos fatores que favorecem a perpetuação da problemática em questão. Com efeito, a chamada Quarta Revolução Industrial, com a população de ferramentas de buscas e de redes sociais, como “Google” e “Facebook”, facilitou o acesso à informação. Em contrapartida, a dificuldade de garantir a veracidade dos conteúdos publicados mostra-se preocupante porque pode agravar a hipocondria, na medida em quem sofre com essa psicopatologia tende acreditar nessas fontes, ignorando, assim, a busca por orientação especializada. Por conseguinte, a administração de medicamentos por conta própria -não raramente- é uma das consequências negativas, de modo a acarretar desde intoxicações até a morte.

De outra parte, o baixo poder de reflexão também representa um dos empecilhos. A esse respeito, Hannah Arendt, na sua teoria sobre a “Banalidade do Mal”, defende que o indivíduo frequentemente executa comandos sem analisar acerca dessas condutas . De maneira análoga, evidencia-se tal pensamento quando o hipocondríaco, muitas vezes respaldo em uma frágil confiança na realização médico-paciente, se deixa influenciar por informações desconexas ou errôneas, não reconhecendo o quanto danosa pode ser essa ação. Logo, o estímulo a estratégias de esclarecimento civil é imprescindível para o enfrentamento desse problema.

Urge, portanto, a necessidade de medidas que visem a atenuação do cibercondrismo na contemporaneidade. Diante disso, a fim de assegurar a qualidade das informações na área da saúde na internet, uma ação conjunta entre o Ministério da Saúde e as empresas de tecnologia na criação de programas de checagem dos conteúdos mais disseminados, de maneira a diminuir os riscos do acesso a fontes infundadas, além de difundir propagandas que alertem acerca dos efeitos danosos desse transtorno. Paralelamente, as Secretarias de Saúde precisa trabalhar esse assunto nas comunidades, a partir de eventos especiais desenvolvidos pelo Programa de Saúde da Família, com psicólogos e médicos para desconstruir tais posturas. Almeja-se, com isso, mitigar esse medo da sociedade.