Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 05/10/2019
Miguel de Cervantes, no livro Dom Quixote, narra os imbróglios de um velho fidalgo espanhol dividido entre ilusões e realidade, que confundia situações corriqueiras reais com perigos imaginários. Nesse sentido, é indubitável que o principal personagem da obra possui um quadro semelhante à hipocondria, isto é, uma condição psicológica de obsessão. Contextualmente, após o desenvolvimento e crescimento das novas tecnologias as quais modificam diretamente fatores sócio-culturais da vida humana surge a “Cybercondria”, que corrobora com o autodiagnóstico e a automedicação, deixando consequências para a saúde humana a serem solucionadas de forma rápida e eficiente evitando sequelas irreparáveis.
Primeiramente, vale salientar em primeiro plano que a revolucionária internet proporcionou um acesso instantâneo e exacerbado a informação, vinculada às psicopatologias de imediatismo, precaução e obsessão acarretou ao aparecimento de autodiagnóstico, que por sua vez, concluí-se um problema de saúde. Por consequência, inicia a automedicação através de tratamentos incoerentes e sem acompanhamento médico, sendo que 80% dos brasileiros acima de 16 anos adere a essa prática. Nesse modo, torna-se um grave problema de saúde pública, pois com a utilização de medicamentos desnecessários colaboram com a seleção natural de organismos, previsto por Darwin, levando ao aparecimento de superbactérias e mutações.
Outrossim, com o constante bombardeamento de novos dados sob o indivíduo em uma realidade virtual é um dos principais fatores de confirmação dos sintomas psicológicos para o físico de forma concreta e hereditária ao seu meio social. Isso, se deve à “Fake News” e facilitadores de vendas indiscriminados de remédios, visando o lucro.
Em suma, para evitar problemas desnecessários analogamente aos acontecidos no livro Dom Quixote, mostra-se necessário aplicar medidas visando a erradicação dessa nova doença associada às novas tecnologias. Logo, cabe às intuições midiáticas, por meio de propagandas e campanhas em todo e qualquer veículo de comunicação, divulgar as causas e consequências dessa patologia da era digital, semelhantemente à uma bula de remédio virtual. Assim, propagando conhecimento e reivindicações para toda a sociedade que está à mercê dessa patologia.