Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 03/10/2019

O protótipo da primeira rede de internet adveio do cenário da Guerra Fria, onde os blocos socialistas e capitalistas compartilhavam informações para facilitar as estratégias da guerra. Hodiernamente, com o progresso da globalização, os meios de comunicação avançaram em aspectos tecnológicos, sendo capaz de solucionar entraves com um simples acesso. No entanto, a facilidade em conectar qualquer conteúdo na rede digital pode ocasionar fatores negativos, principalmente na área da saúde, em favor na negligência informacional e carência de instrução qualificada.

Em primeiro plano, ressalta-se que a disponibilidade de diversos materiais na web, quando usado de maneira incoerente, pode resultar na maximização de malefícios para o indivíduo. Dessa maneira, o cidadão quando carente de orientação é tentado a encaminhar suas dúvidas em recursos digitais, uma vez que além de ser considerado um método mais rápido, é visto como um item disponível em qualquer instante. De acordo com a pesquisa do ICTQ (Instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico), 80% da população brasileira tomam remédio sem prescrição médica.Paralela a essa ótica, a autoformulação  por influência da internet pode exacerbar as condições de saúde de muitos, além de gerar outros tipos de patologia.

Ademais, os riscos da cibercondria podem agravar o quadro clínico do indivíduo, visto que qualquer tratamento sem embasamento científico é considerado incabível. Nesse contexto, quando um sujeito que apresenta um simples incômodo é conduzido a se medicar de acordo com pesquisas da internet, não obstante as consequências que esse ato pode submeter, pode resultar no agravamento da enfermidade ou até mesmo camuflar uma doença que exigia um acompanhamento médico. Segundo o portal de pesquisa R7, 26% dos brasileiros consulta primeiro a internet ao ter problemas de saúde, que por sua vez, pode culminar na interpretação de exames de forma errada, ou seja, um cidadão pode deter uma doença de fácil resolução e se medicar de maneira errônea, comprometendo o tratamento.

Fica perceptível, portanto, que medidas de cunho socioeconômicas são essenciais para mitigar o desmazelo da instrução estabelecida pela rede informacional. Logo, é essencial que o Ministério da Saúde em conjunto com a Câmara Municipal da região, atue no âmbito escolar e nas instâncias midiáticas, recorrendo as redes sociais e rádios, para promover campanhas nacionais em vigência e palestras de cunho educacional com a participação de profissionais especializados na área da farmacologia, para que este melhor esclareça sobre o perigo da automedicação por embaçamento da web, além de conscientizar e habituar a população a cerca da necessidade da procura por setores hospitalares. Assim, poder-se-iá verificar uma sociedade mais estabelecida e amparada.