Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 05/10/2019
No filme “Batman: o cavaleiro das trevas”, Bruce Wayne faz uso da tecnologia desenvolvida por Lucius Fox para salvar a cidade de Gotham. Também na vida real, a tecnologia e a internet têm sido utilizadas em prol da sociedade. Não obstante, é possível transformar essa fonte benéfica em algo prejudicial às pessoas, tornando-a potenciadora de doenças como a cibercondria, a doença da era digital. Sendo assim, medidas são necessárias para reverter tal quadro.
Em primeiro lugar, é importante esclarecer que o termo “cibercondria” deriva da junção das palavras “ciber” e “hipocondria”, a doença que faz o indivíduo crer que está com uma doença grave, buscar médicos compulsivamente, bem como ingerir remédios com frequência, mesmo sem prescrição. Segundo Steve Jobs, “A tecnologia move o mundo”, diante disso, pode-se afirmar que, por consequência dela, as pessoas puderam ter mais acesso à informação sobre diversas doenças, seus sintomas e possíveis tratamentos. Assim, o que muitos acabam fazendo é ignorar as recomendações médicas e diagnósticos, pondo sua confiança em algo que nem sempre apresenta a mesma confiança de um profissional. É, pois, evidente, que a internet também é usada na contramão do progresso.
Como consequência, nota-se um alto número de pessoas que automedicam-se. Segundo uma pesquisa feita pelo ICTQ (Instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico), 79% dos brasileiros com mais de 16 anos admitem que praticam a automedicação. Com isso, muitas doenças podem ser agravadas, camufladas e até mesmo haver a provocação de uma nova enfermidade decorrente dessa prática. Tem-se, por exemplo, a questão do uso indiscriminado de antibióticos, o qual é um dos fatores para a ocorrência das superbactérias. E a “bola de neve” cresce e pode, não só potencializar a precariedade do sistema público de saúde (tendo em vista o grande número de pacientes, inclusive em espera), como também levar o cidadão ao óbito.
Portanto, depreende-se que a cibercondria é um impasse que gera resultados drásticos e medidas são urgentes para solucioná-lo. Para tanto, o Ministério da Saúde deve orientar a população acerca da cibercondria e da importância de desconfiar de informações de saúde na internet, por meio de campanhas publicitárias divulgadas na televisão e internet (sendo que a intensidade maior deve se dar nos horários de almoço e redes sociais, respectivamente, de forma a atingir um maior público), com o intuito de reduzir os impactos e a existência da doença no Brasil. Só assim será possível ver um desfecho análogo ao da trilogia do Batman, em que a cidade se vê livre do caos.