Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 06/10/2019

A série americana “Todo Mundo Odeia o Chris”, conhecida normalmente pelo caráter de crítica social, apresenta, em um dos episódios, a personagem Rochelle, que atribui a qualquer problema de saúde o uso de um xarope para qualquer alteração no organismo da família. Nesse viés, análogo ao supracitado, a sociedade contemporânea alicerça a solução de complicação da saúde na pesquisa virtual de possíveis doenças de acordo com sistemas expostos, sobretudo pela necessidade do imediatismo e a desvalorização do sistema de saúde, o que se mostra um problema social a ser modificado, sob pena de graves prejuízos aos indivíduos.

Primeiramente, é essencial notar que a sociedade atual, conectada e acelerada, tem se tornado cada vez mais imediatista. Tais condições sociais são as principais causas da cibercondria. A hipocondria digital pode ser observada quando uma consulta ao médico é trocada por uma pesquisa “online”, feita pelo próprio usuário. Nesse contexto, embora o advento da World Wide Web tenha revolucionado os meios de comunicação, a ilusão contemporânea do conhecimento a um clique se sobressai, de modo a possibilitar a hipocondria digital, obsessão para com a ideia de ter um problema médico grave, cujo diagnóstico se baseia no chamado “Dr. Google” com a presença de sites sensacionalistas e o apego ao senso comum.

Ademais, a desvalorização da ciência configura-se obstáculo à atenuação da cibercondria. Nesse sentido, a falta de investimento no sistema público de saúde do país reflete na precariedade estrutural das unidades e, por conseguinte, o atendimento incompleto do paciente, tomado o tempo exaustivo de espera e a irregularidade do diagnóstico leva-o a tirar suas próprias resoluções no ambiente virtual, de fácil acesso a conteúdos, sejam verdadeiros ou falsos. Ademais, conforme pesquisa da empresa norte americana Google, 26% dos brasileiros recorrem primeiramente ao serviço de pesquisa virtual ao se deparar com um problema de saúde, de modo que enquanto a prioridade online estiver em evidência, o Estado terá que conviver com o transtorno da era digital: a cibercondria.

Portanto, o governo deve através do Ministério da Saúde, deve fiscalizar o atendimento no sistema de saúde para garantir sua eficiência, deverá também buscar apoio da mídia para conscientizar a população sobre os perigos da cibercondria, através de campanhas que sejam atraentes, impactantes e informativas. A escola enquanto espaço dialógico precisa realizar ações educativas sobre a cibercondria e a importância de se ir ao médico, cabe também a escola debater o imediatismo e seus perigos a sociedade, tanto em sala de aula quanto em outras atividades, a fim de que se forme uma população com pensamento crítico e atenta as transformações que ocorrem ao seu redor.