Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 29/09/2019

Cyber. Hipocondria. Cibercondria. Tais palavras se completam e mutualmente possuem um significado muito importante para a nova era digital. A cibercondria pode ser chamada de “Dr. Google” ou hipocondria digital, tal síndrome faz com que o indivíduo pesquise na internet de modo exagerado, possíveis sintomas de doenças e posteriormente aborde o seu médico com uma ideia pré-determinada sobre a sua condição. A partir desse viés, é essencial discutir quais as causas e consequências resultantes de pesquisas digitais exacerbadas sobre seu estado de saúde.

Analisa-se, de início, que os principais fatores para a ocorrência da cibercondria residem em uma população habituada a se autodiagnosticar e medicar-se, como também, em um país que não possui regulamentações nas plataformas digitais em relação a informações médicas. Na sociedade brasileira usar a internet para pesquisar sintomas e doenças já virou rotina, basta sentir uma dor de cabeça para o indivíduo começar sua investigação na rede. Tais métodos de procura acaba gerando um quadro de ansiedade e stress maior, pois o que ele filtra da internet, na maioria das vezes, são as partes mais “negativas” e preocupantes, acarretando em uma piora no seu quadro de saúde tanto físico como psicológico. Ou seja, a busca por informações, sem a ajuda de um profissional da saúde pode levar ao surgimento de doenças psíquicas como, por exemplo a depressão e ataques de pânico.

Pontua-se, ainda, que o acesso amplo e sem filtros obtidos na internet, causa um grande impacto para o usuário, pois com o surgimento dos hipertextos o indivíduo não apenas se deterá a seus sintomas e sim a todos os outros que tiverem, de certa forma, alguma ligação ao que ele está sentido. Por consequência, sua preocupação e stress aumentará. Diante disso, um estudo feito por dois médicos Ryen White e Eric Horvitz, revelaram que 80% dos adultos americanos procurou informação sobre saúde online, mas 75% não verificou se a informação era válida e precisa, como por exemplo verificar a fonte. Demonstrando, assim, a vulnerabilidade que a população é exposta.

Compreende-se, portanto, que ações devem ser feitas em prol da saúde e do bem-estar da sociedade. Assim, urge, que o Ministério da Saúde em associação com o Sistema Único de Saúde (SUS) se proponha a oferecer tratamentos para pessoas que sofrem com essa síndrome, ofertando auxílio terapêutico, com a finalidade de promover tranquilidade e segurança a essas pessoas. Outro fator coadjuvante é que o Poder Legislativo elabore leis que limitem o acesso a informações médicas via internet, com a proposta de regularizar informações que podem ser falsas, filtrando, assim, o que pessoas leigas sobre o assunto poderiam acessar. Dessa forma, o risco de pessoas com cibercondria poderá ser reduzido e a população terá mais “segurança” no que diz respeito a sua saúde.