Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 06/10/2019

A série norte-americana “The Resident”, em sua 11° temporada, expõe a história de uma mulher que procura o hospital para tratar-se de uma metástase, doença que foi autodiagnosticada pela personagem a partir de buscas sintomáticas que fez na internet. Fora da ficção, casos como esse são conhecidos como cibercondria, enfermidade que tem-se tornado um grande risco para a sociedade contemporânea, motivada por fatores comportamentais e educacionais.

Em primeira análise, é necessário pontuar que a busca pelo imediatismo contribui com a problemática. Nesse sentido, nota-se que a internet tornou-se a materialização da teoria da “Modernidade Líquida” estudada por Zygmunt Baumann. Isso ocorreu porque os sites de ferramentas de pesquisas, como o Google, apresentam-se como uma ótima opção para aqueles que querem rapidez na aquisição de informações, principalmente no que tange a saúde. Prova disso está na pesquisa feita pela própria empresa a qual aponta que 1 em cada 20 buscas no site são sobre assuntos médicos. Como consequência, os indivíduos correm o risco de serem expostos a informações duvidosas, sem consistência e sem fontes de referência que podem incita-los a praticarem o autodiagnóstico e a automedicação.

Outrossim, vale destacar que o impasse pode ser acentuado devido a uma falha educacional. Tal fato acontece pois, as escolas não cumprem a sua função de educar e formar cidadãos conscientes em relação ao uso da internet. Essa realidade fica evidente a partir da análise das grades curriculares dessas instituições que priorizam conteúdos tecnicistas em detrimento de eixos que estimulem a checagem das fontes e dos conteúdos médicos acessados, bem como dinâmicas que abordem a cibercondria. Como resultado da negligência escolar, a partir do momento que ela não dá a devida importância para o assunto, contribui-se para que os jovens pratiquem atitudes que coloquem a sua saúde em risco.

Portanto, fica evidente que as causas e implicações da doença da era digital precisam ser combatidas. Para isso, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve estimular as instituições de ensino superior a criarem aplicativos, por meio da parceria entre médicos e engenheiros da computação, que tragam de forma simples e segura as informações acerca de sintomas, doenças, possíveis tratamentos, localização de serviços médicos, além dos riscos da automedicação. Tal medida evitará que a população fique a mercê de sites que não possuem comprometimento, garantindo assim, a redução de diagnósticos equivocados e arriscados. Desse modo, será possível que casos como o abordado na série norte-americana fiquem apenas na ficção.