Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 03/10/2019

No século XIX, surgiu o primeiro protótipo da internet com o objetivo de interligar e trocar informações entre laboratórios de pesquisas e bases militares. Todavia, a facilidade e a autonomia de acesso à informação tem influenciado pessoas a acreditarem veemente em tudo que é exposto na internet, desde de notícias sobre política e economia até diagnósticos médicos, os quais levam esses indivíduos a se automedicarem. À vista disso, infere-se que tal problemática é inerente à má formação social e ao péssimo gerenciamento do sistema público de saúde.

A priori, consoante o inventor Steve Jobs, a tecnologia é a responsável por mover o mundo moderno e como tudo funciona ao seu redor. Desse modo, a tecnologia emerge como um protagonista da vida hodierna, na qual estamos cercados e, cada vez mais, dependentes dela, desde sistemas pessoais, como o GPS a tecnologias voltadas a área da saúde. Entretanto, essa interdependência tem sido fortificada pelo despreparo da sociedade para lidar com tanta informação e a incapacidade de filtrá-las, como saber que diagnósticos encontrados na internet nem sempre condizem com a realidade, uma vez que o organismo de cada indivíduo funciona de maneira distinta. Isso é refletido no cotidiano, no qual diversas pessoas realizam a indicação de remédios a outras, porque fez uma pesquisa na internet.

Outrossim, a relação entre saúde e física e mental é notoriamente imprescindível para uma vida saudável, assim como salientava o filósofo romano Juvenal, “Mente sã, corpo são”. No entanto, hodiernamente na era da informação é usual encontrar pessoas que se sentem doentes e se automedicam mesmo que não estejam acometidos por nenhuma patologia e tal distúrbio é conhecido como cibercondria. Visto isso, tal situação é ainda mais agravada pela precariedade do sistema público de saúde, no qual há falta de profissionais, medicamentos e infraestrutura para atender os pacientes, os quais ficam horas em filas para conseguir auxílio. Por consequência, esse estado de calamidade da saúde pública intensifica nas pessoas a busca por diagnósticos na internet.

Por conseguinte, para que a internet seja uma fonte de informação segura e sirva de maneira correta ao auxílio dos cidadãos, são necessárias mudanças estruturais. Com isso, assiste ao Ministério da Educação, por meio de diretrizes educacionais, a criação de palestras com a presença de profissionais da saúde sobre o uso da tecnologia, a qual vise demonstrar a correta utilização da internet na busca de informações e que saliente a importância de um acompanhamento médico para qualquer tipo de sintoma, a fim de que haja uma sociedade cônscia. Ademais, assiste ao Ministério da Saúde em conjunto ao Congresso Nacional, por intermédio de projetos de lei, a ampliação de verbas destinadas à saúde e à formação de novos profissionais, para que haja infraestrutura no sistema de saúde.