Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 09/10/2019
Para Bauman, sociólogo polonês, a sociedade atual é marcada pela fragilidade das relações sociais, tendo em vista que o individualismo é uma das principais características da contemporaneidade. De forma análoga, a cibercondria vem sendo recorrente e uma problemática na virgente sociedade. Nessa perspectiva, cabe analisar os motivos principais desse fato, dentre eles o aumento da automedicação e a carência dos serviços públicos.
Sob essa conjuntura, vale ressaltar que a hipocondria vem ganhando uma nova forma, sendo considerada uma das doenças digitais, é um problema psicológico que faz com que o individuo ache que está sempre doente, buscando compulsivamente sintomas na internet, e chegando a se automedicar, sem possuir nenhuma doença. Dessa maneira, muitas vezes essa prática vem a ter consequências graves, pois a automedicação pode promover diversos problemas à saúde, sendo prejudicial a diversos órgãos do corpo. Assim, parafraseando Buda, iluminista indiano, o segredo para a saúde mental e corporal consiste em não sofrer antecipadamente, ou se preocupar com o futuro, mas lidar com seriedade e sabedoria o presente.
Outrossim, com a Terceira Revolução Industrial constantes avanços tecnológicos, a disponibilidade da internet, e a praticidade de aplicativos que realizam diagnósticos, para alguns cidadãos o médico se torna dispensável, em decorrência da superlotação nos hospitais brasileiros. Dessa forma, esses indivíduos não buscam uma consulta com um profissional capacitado, e acreditam nos resultados de suas pesquisas na rede, que por muitas vezes podem estar equivocados, amenizando o problema ou até mesmo constando algo bem mais grave. Ademais, a ferramenta que tem como fito promover a qualidade de vida para a sociedade pode e vem à adoecendo crescentemente.
Com o intuito de amenizar essa problemática, o Ministério da Saúde deve implementar medidas para aumentar a fiscalização na venda de medicamentos em farmácias, por meio da exigência de uma receita medica, com o objetivo de dificultar a venda de remédios sem a orientação medica, para que aos poucos cultura da automedicação tenham fim. Além disso, o Governo deve investir em programas como o Sistema Único de Saúde, SUS, de modo que minimize a superlotação nas unidades de saúde, para que todos os brasileiros tenham o atendimento profissional adequado, e tenha, uma redução considerável dessa doença digital.