Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 02/10/2019
Desde o início da medicina, no Egito Antigo e sem dúvida antes deste, as pessoas com e sem problemas de saúde sempre se preocuparam com a sua saúde e com a possibilidade de sofrerem de doenças. Hodiernamente, no entanto, pós Revolução Industrial a criação da internet facilitou o acesso à informação, ou seja, se uma pessoa acha que está ficando doente, logo recorre à internet pesquisando pelo que está sentindo; esse hábito gerou um novo termo referente à hipocondria da modernidade: a cibercondria. Diante dessa perspectiva, é preciso analisar, o fácil acesso aos conteúdos inseguros da web, bem como a ansiedade pessoal por meio de sintomas conflitantes em relação à saúde.
Convém ressaltar, a princípio, a ascensão da internet que ocasionou incontáveis mudanças à sociedade atual, através do contato instantâneo das informações colhidas que nem sempre são verídicas. Segundo a teoria do filósofo Michel Foucault, “o poder e o conhecimento”, o homem nada mais é do que um produto inventado, consoante a esse pensamento é imprescindível que a população tenha acesso a verdade íntegra. Dessa forma o uso errôneo da rede, como pesquisar o próprio diagnóstico patológico, pode desencadear outros tipos de doenças, com os mesmos sintomas daqueles pesquisados anteriormente, gerando ainda mais angustia pessoal.
Outrossim, cabe salientar também, o dano psicológico que o autodiagnostico pode causar referente a ansiedade crônica instalada no contexto vigente. Similarmente a modernidade efêmera do sociólogo Zygmunt Bauman, é indubitável que o ser humano priorize a rapidez e a praticidade ao invés de observar a si mesmo e sua vida com calma, com efeito, para a sociedade contemporânea é muito mais eficaz pesquisar seus sintomas em casa, e chegar a uma conclusão sem consultar um especialista. No entanto, tal prática, muitas vezes, confunde os ansiosos e essas informações podem acarretar ainda mais adversidades como crises de estresse, o que pode, evidentemente, piorar o estado geral de saúde desses.
Destarte, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Para tal, urge que o Governo, como órgão interventor, elabore um projeto para regulamentar os sites e plataformas disponíveis, criando maior fiscalização nessas páginas, na tentativa de proteger essas pessoas em seu processo de autodiagnostico. Além disso, a mídia deve propor campanhas que conscientizem grande parte da população para cautela na auto-medicação e diagnósticos “online”, visando mitigar a hipocondria digital. Adotadas tais medidas, será possível viver, de maneira mais saudável, as questões da efemeridade pós-moderna descrita por Bauman.