Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 04/10/2019
De acordo com Steven Jobs, um dos fundadores da “Apple”, a tecnologia move o mundo. Contudo, essa não oferece somente avanços positivos, no que se refere ao desencadear de questões, como a cibercondria. Sob esse viés, a rapidez na transmissão de informações e a fácil acessibilidade tornam a internet um ambiente ideal para a proliferação dessa doença da era digital, a qual afeta em negativo a sociedade. Assim, urge estudar os parâmetros da problemática, a fim de mudar esse contexto.
Em primeiro plano, a cibercondria pode ser considerada uma “mutação” da hipocondria, a qual caracteriza um transtorno psicológico que, a partir de um sintoma, faz um indivíduo se auto enquadrar em determinada doença. Essa evolução ocorreu conforme o desenvolvimento dos meios de informação, uma vez que, atualmente, tem-se fácil contato com celulares e computadores, os quais oferecem respostas rápidas. Entretanto, para diagnósticos raras vezes são eficazes, sendo preciso estabelecer filtros, o que, nesse caso, pouco acontece. Dessa forma, ao utilizar a internet como uma consulta médica, demonstra-se uma “banalidade do mal”, conceito da filósofa Hannah Arendt, uma vez que é ignorada a importância dos profissionais de saúde e os efeitos negativos de tal prática.
Por conseguinte, a tecnologia não movimenta o mundo como esperado. Tendo em vista a dados divulgados em 2014 pela Organização Mundial da Saúde, mais da metade dos usuários de internet a usam para detectar doenças, sendo alarmante essa estatística. Diante disso, como os algoritmos tecnológicos não têm a capacidade de examinar os indivíduos de forma burocrática, doenças graves podem ser negligenciadas, como também, pode-se consumir remédios indevidos, expondo a saúde a diferentes transtornos. Dessa maneira, para que a era seja usufruída da melhor forma, os usuários precisam compreender os perigos presente em meio aos conteúdos, o que fomenta a necessidade das instituições agirem, de acordo com o educador Paulo Freire, como formadoras da criticidade.
Destarte, diante dos fatos ressaltados, ficam claras as causas e consequências, como parâmetros, da cibercondria na era digital. Nesse sentido, para que seja possível mudar esse contexto, as escolas, que são centros de ensino, devem promover um projeto de apoio a não proliferação dessa doença. Tendo em base, isso pode ser feito por meio de debates sobre a necessidade de filtrar informações e da procura médica, de modo que se desenvolva senso crítico nas pessoas. Como efeito, essas poderão fazer melhor uso das tecnologias, como almejado por Steven Jobs, sem prejudicar a saúde.